Foto: L.S.Tenho feito posts bastante voltados a tipos humanos... Não que isso seja algo proposital. Na verdade, a lauda – eletrônica ou celulósica – sempre me concede a liberdade natural da franca Literatura! E o faço com a fluidez de nuances variadas que surgem espontaneamente, sem correntes ou correntezas...
E hoje a minha lauda quer falar do tempo e seus distintivos, os amigos – para alguns, opressores?! – relógios e similares.
Tic tac... tic tac... tic tac...
Mas o fato é que estou livre do estranho objeto metálico de engrenagens rotativas obsessivas. Talvez só não o tenha espatifado porque – além de ser contra destruições –, não costumo despender esforços demasiados por pequenas coisas; não gasto minha energia com situações menores. Sabe aquela história de não se tentar matar um mero mosquito com uma bala de canhão? É isso: o reloginho não era tão importante que merecesse maiores atenções ou intenções de minha parte, nada que demandasse mais do que três ou quatro minutos. Apenas o abandonei num canto qualquer.
Na verdade, não tenho nada contra relógios. Quando criança, até os colecionava. Em 1982, aos 14 anos, eu tinha vinte e seis relógios, inclusive um mais que pós-moderno, rosa pink (acredita?), o máximo para a época... tsc tsc tsc (estou com síndrome de HQ)... Mas, voltando aos tais instrumentos cronológicos, eu me dou bem com eles essencialmente porque tenho uma ótima relação com o tempo. Sou apaixonada pela vida e, realmente, usufruo o que cada segundo pode me proporcionar; assim, lido com o tempo com toda a intensidade que me é peculiar. E – como todo humano mortal –, me utilizo de algumas formas para marcá-lo, procurando ajustá-lo às minhas necessidades de momento. Assim, nunca é cedo ou tarde para eu fazer determinada coisa; se é preciso fazê-la, fabrico ou manipulo tempo ou ocasião para a sua realização; se não dá para fazê-la durante a utilidade convencional do dia, providencio a ação para a noite, madrugada adentro... mas nada, absolutamente nada do que tenho a fazer, fica sem se realizar! Literalmente, não brinco em serviço.
De modo específico para acordar – como não costumo saudar a primeira face das manhãs, diga-se de passagem –, me utilizo de alguns “despertadores alternativos”: chamada 134 + dois celulares, tooodos tocando ao mesmo tempo! Assim, quando amanhece, todas as alvoradas de modernos galos eletrônicos retinem a meus ouvidos, abruptamente separados do onírico (meus vizinhos devem adorar!)... Mas a verdade é que eu nem preciso de tanto: tenho um despertador interno, supereficaz, que me chama no momento exato de despertar, uma intuição poderosa que não me deixa perder o compromisso. Tanto que, ao longo de toda a minha vida, poucas vezes perdi a hora, para o despertar... Na verdade, nem me lembro da última vez em que isso aconteceu.
Mas toda essa rotação de conteúdo em torno do instrumento de engrenagens robóticas trabalhando simultaneamente, por um breve instante de 30 segundos, me fez pensar no poder de Mister Chronos sobre a aventura humana. E aqui me ponho a um rápido retrospecto das buscas do homem através dos milênios: do original relógio de sol até os mais arrojados cronômetros atômicos, é impressionante a força devastadora do tempo, e igualmente instigante a nossa forma de vê-lo, dimensioná-lo e utilizá-lo com os melhores fins. Afinal, seja em que versão for, os marcadores temporais parecem dar-nos a dimensão exata do quanto é preciso nos empenharmos nesse sentido, do quanto necessitamos empreender para que o “nosso tempo” não passe em vão. Esse é um outro sentimento temporal que sempre tive: as contas que – sei – preciso ajustar com Mestre Tempo... Não coleciono mais relógios nem mesmo uso aquele convencional de pulso (desenvolvi alergia cutânea a seu uso constante), mas agora incumbo o celular de ser meu companheiro visionário das horas...
Resta-nos agir com o que poderíamos chamar de consciência cronológica, a fim de satisfazermos as proposições do tempo, em seus arbítrios e movimentos irrecorríveis!
...tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac...
Por Sayonara Salvioli
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P.S.: Partindo de referência que fiz no texto, sugiro a leitura da história dos engenhosos implementos formatados por Santos Dumont e Louis Cartier, na fascinante Paris do começo do século XX.