Dia desses, eu estava sozinha num restaurante de shopping, almoçando tranquilamente, com os pensamentos elevados à evasão, quando uma voz me interpelou:– Desculpe interromper... Posso tirar uma radiografia do seu brinco?
– ???
Olhei para a mulher: era ruiva, alta, e apesar de ostentar bons trajes e adereços, tinha qualquer coisa de primária. Também exibia certa desfaçatez.
Meio sem graça, percebeu que precisava se explicar:
– Ah... Desculpe o mau jeito. Meu nome é Andréa Couto; sou designer de jóias – e tirando o cartão da bolsa – Tenho uma loja de bijouterias aqui perto, o endereço tá aqui... E eu a-d-o-r-e-i o seu brinco! E quero tirar uma radiografia dele!
Naquele instante, só vinham à minha mente definições usuais do termo radiografia (em Radiologia, processo que permite obter, numa superfície sensível, a imagem de um objeto em raios X)... Mas também me ocorreram outras ramificações de semântica para o vocábulo, também usado para se designar uma espécie de detecção de uma instituição, de um eleitorado, de determinado perfil etc. Mas radiografia de brinco era uma expressão inusitada, pois como poderia alguém desejar verificar a estrutura interna do brinco? Talvez a idéia fosse identificar a natureza de suas pedras? Não, não pode ser isso; não deve ser uma curiosidade típica de ourives ou algo parecido. A menos que seja...
– ...Uma xerox do seu brinco, entende? – tornou a mulher.
– Ahh... entendo! Pode tirar, sim... claro!– Olha, você pode até vir comigo, tá? Sei lá... no mundo de hoje, você pode até achar que quero afanar o seu brinco – falou a desconhecida interlocutora, dando-me tapinhas no ombro.
– Imagine! Não estou pensando isso.
– Ah, mas pode até pensar... Um brinco lindo desses! – e abaixando a voz, perguntou:
– É jóia?
– Não; é bijou.
– Ah, sim, então eu posso levar?
Meio sem jeito, respondi tirando um dos brincos. Não pude deixar de perceber que as pessoas da mesa ao lado nos observavam, e o garçom que atendia à minha mesa não parava de passar para lá e para cá, tentando entender a estranha abordagem da desconhecida.
Andréa Couto arregalou os olhos quando viu que eu lhe estendia o brinco, e me puxando pela mão, disse:
– Venha comigo! Tem uma papelaria aqui nesse piso mesmo, aqui do lado.
Voltei, peguei a minha bolsa de mão, deixei minha executiva na cadeira onde estava, disse ao garçom que já voltava (sou conhecida da casa) e acompanhei a mulher. Entre o restaurante e a papelaria, ela me explicou melhor a situação:– Sabe, quando vejo um brinco de que gosto muito costumo reproduzir, fazer outro igual, sabe? Mas esse seu é muito sofisticado, e eu achei melhor vencer a vergonha e te pedir emprestado pra uma xerox...
Eu só assentia com a cabeça.
Chegando à papelaria, a criatura pediu “uma xerox deste brinco”, e o balconista a olhou com estranheza, mas atendeu a seu pedido de cliente, naturalmente. Quando o brinco já ia ser “radiografado”, a designer se dirigiu a mim, novamente:
– Desculpe abusar, mas você não poderia tirar o outro brinco? Vai ficar mais bonitinho... E também pode haver algum detalhe melhor em um que no outro, e isso pode facilitar a confecção da cópia do brinco, entende?
Entendi e tirei o segundo brinco, passando-o às mãos da personal designer. Depois, fiquei ali parada, disfarçando um risinho incontido de canto de lábio. Não consegui conter o riso, porém, quando ela reforçou ao atendente:
– Por favor, faça uma cópia, para ela levar também – referindo-se a mim.
Voltamos ao restaurante, onde ela antes tinha ido almoçar, diga-se de passagem. Até que rimos bastante, e Andrea pareceu-me, então, bastante simpática, apesar de um tanto maluquinha. Mas quem sou eu para falar isso?
Como antes eu já estava terminando de almoçar, pedi apenas uma sobremesa. Mas a designer, que agora dividia a mesa comigo, almoçava a velozes garfadas:
– Não repare a minha afobação, mas hoje não tomei nem café da manhã, por causa da correria. Estou com fome mesmo! – e ria como que de si mesma.
Levantei-me e já ia me despedindo quando a nova conhecida perguntou:
– E você, o que faz? Qual a sua profissão?– Sou escritora. E já fiz uma radiografia sua para o meu blog.
O leitor sabe que procedi a tal raio X desde o começo da narração; desde o primeiro momento, fiz o meu juízo de valor. Mas a mulher não sabia. E, apesar de antes aparentemente tão descontraída, revelou-me num só olhar um claro temor. Li nas entrelinhas como que um pavor seu de ser descoberta, desmascarada em sua identidade (será que falsa?!), como se a nós, escritores, fosse facultado o dom de fazer radiografias de almas alheias por aí, perscrutando suas verdadeiras intenções, suas frustrações e insuficiências, enfim, seu medo de serem vistas tal como são, sem qualquer possibilidade de disfarce ou autossublimação. E será que não podemos mesmo?
Por Sayonara Salvioli
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Radiografia de brinco
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Um peixe dentro d'água

Dizem que os piscianos precisam morar perto da água. E é verdade. No meu caso particular, andei analisando os lugares em que vivi e não deu outra: sempre me banhei de paisagem – e aquática!
Nasci numa cidade banhada por um rio. Vivi os primeiros anos numa localidade bipartida, ou seja, uma cidadezinha com um rio no meio. Lá morei até os 19 anos, e costumeiramente fazia poemas em honra ao lugar, olhando “... uma ilha próxima, um rio passante, do outro lado a capela”... Depois, me estabeleci em nova cidade dividida por um rio: duas margens, duas bandas; apesar de una, performaticamente quase duas cidades... Na medida dupla de peixes, signo zodiacal que vem em duo, molhado pela água e transpirando sensibilidade pelas guelras!...
Anos e anos depois, vim morar perto de uma grande banheira, onde me senti acolhida, ante a visão de uma baía à minha frente. Da janela, observava belos veleiros que, a certa distância, pareciam barquinhos com uma vela branca no mar... Também observava os coqueiros e as gentes na praia. Mar, chuveirão na areia, água de coco, sorvete e picolé no grito aquoso do ambulante!... Sete anos após, segui adiante e vim parar precisamente em frente ao mar! Diante de minha janela, saudei o casamento do oceano com o horizonte, ambos vestidos de intenso azul!E aqui estou a molhar a sua leitura com as imagens líquidas de minhas palavras! Água nos meus sentidos e no meu relato... O pisciano é assim: necessita de um aquário para viver! Até o seu olhar, por vezes lânguido, noutras brilhante, apresenta uma superfície fragilmente aquosa... Tudo em Peixes é água: até os seus sentimentos! Estes, ainda mais: ondulantes, delineiam-se liquidamente e adquirem a forma de seu recipiente. Peixes denotam muitas águas: águas de março e fevereiro desembocando nos sete mares da emoção universal!... Ah, evasões líquidas à parte, somos mesmo um mar de histórias!...
Com todo esse fluxo de emoções e pensamentos, porém – próximos à superfície da água – precisamos mesmo de tal contexto para darmos vazão à nossa profundidade existencial. E sermos realmente felizes perto daquilo de que gostamos e que nos dá vida. É verdade!... Faça uma busca mental de seus amigos piscianos, e contabilize quantos deles moraram ou moram perto d’água. Não que isso seja algo planejado pelos nativos de Peixes, mas simplesmente porque seus caminhos corredios o levam a tais destinos... Em alguns casos, ainda que inconscientemente, escolhem profissões relacionadas ao mar, a algum reservatório ou similares (oficial da Marinha, funcionário da CEDAE, oceanógrafo, arqueólogo submarino, salva-vidas etc.)... Por isso, se pisciano, é melhor que você procure um lugar perto d’água para viver e, talvez, um ofício também ligado à água... E a sua vida fluirá corrediamente e com liquidez! (risos)...
Enfim, é a água a fonte e o refúgio natural de um ser de Peixes, que literalmente transpira água por todos os poros!Por Sayonara Salvioli
domingo, 12 de julho de 2009
Julho: o arauto da mudança

Segundo a Angelologia, quem nasce sob a influência do anjo Manakel possui inspiração para artes, com destaque para a poesia. Algumas especificações de perfil / designações deste anjo sobre o protegido referem-se a seu dia de sorte (no meu caso, 7), ao horário em que se encontra Manakel na Terra (entre 21h40min e 22 horas) e ao mês de mudança (julho). Concordo com tudo isso, exatamente por sempre haver feito poesia (lembro-me de versos de quando tinha sete anos de idade), por ficar sempre feliz e esfuziante à noite (especialmente no horário de passagem destacado) e, finalmente, porque mudanças – na exata acepção do termo –, sistematicamente, têm ocorrido em minha vida no anunciador e preciso mês de julho.
Também concordo – é claro! – quando leio que pessoas nascidas sob tal influência contam com uma proteção especial de Deus, afinal, como o leitor sabe, já sonhei que – em determinado momento – uma corte de 640 anjos me circundava!... Não preciso, pois, dizer mais nada...
E especificamente sobre o mês da mudança, segundo a regência do anjo da data do meu nascimento, aqui estou aqui para comprovar a veracidade de tal revelação, já que – todos anos, invariavelmente – as mudanças mais substanciais começam a ocorrer para mim a partir do mês de julho. Às vezes até parece que meu ano começa em julho, dada a reincidência de fatos que me mobilizam a partir do sétimo mês do calendário anual.
Concretamente, a mudança, no sentido de transferência de residência, também – e realmente! – ocorre em julho. Já por três vezes (das quatro mudanças que fiz em toda a minha vida), a mudança ocorreu nessa época... E o movimento no sentido da retomada de ritmo e anseios acompanha, com fluência, essa guinada talvez marcada – quem saberá?! – por Manakel...
E, se é para mudar, que a metamorfose se opere do melhor modo: novidades visuais e de entorno são bem-vindas, na medida em que até as coisas físicas precisam mudar para acompanhar o compasso da alma. Sim, sou movida pela completa animação dos sentidos (anima = alma). Acho que imprimo minha alma em tudo que sou e faço. E penso que os lugares que habito e as coisas à minha volta também necessitam de alma para se coadunarem com a minha vivência/expressividade interior. Em outras palavras, tudo precisa de anima (animação) para dar tom e vida ao mundo. Contrariamente, o estático petrificaria a matéria... Divagações metafísicas à parte, quero mesmo dizer que, na cadência da mudança, busco o sentido das coisas, pois acredito nas destinações que, magicamente, nos são apresentadas, por vezes mudando parte do curso de nossa história.
Em penúltima análise (nenhuma será a última), acho que a face anima da vida pode estar, dentre outras coisas, nesse caráter transitório que modifica ou substitui nosso habitat costumeiro, deslocando-nos para outra paragem, seja esta uma serra, um vale, um planalto ou um balneário... Em qualquer estância, afinal, que a influência maravilhosa de Manakel possa abençoar meus atos e intensificar o melhor tom de minhas mudanças pessoais!...
Por Sayonara Salvioli
domingo, 28 de junho de 2009
Rotatividade

E do que é feita a vida senão de rotatividade, de circulação e engrenagens mudando, a todo momento, a face do mundo? Sim, a mudança possui o caráter meritório da renovação, do aprimoramento e do ganho. É a velha questão do trapézio: em vez de temer e não pular, é preferível calcular a distância e arriscar o salto da vitória mais próxima. Afinal, se você não pular, nunca poderá saber os céus que ganharia!
Como todas as pessoas, comprovadamente, tenho algumas qualidades e muitos defeitos. E manifesto ambas as facetas de minha personalidade. Mas creio que poucas características sejam tão notórias em mim – e falo isso sem presunção ou, inversamente, modéstia – como a minha coragem. Sim, leitor: coragem! Isso tenho para ofertar, emprestar ou vender!... Meu temor que realmente assim possa ser chamado refere-se, tão-somente, a uma esfera superior, aos desígnios maiores da Criação. Excetuando-se isso, o medo é termo que não se lavra em meu livro de memórias.
Assim é que não tenho medo de fantasmas ou de mudanças. Creio vivamente nas maravilhas que o futuro da cada dia me reserva, e, apostando nisso, sorrio ao acaso com o melhor dos sorrisos de boa expectativa: aguardo sempre o belo, o bom, o mágico que – acredito! – sobrevirá em minha vida!
E a minha personal característica de estar sempre procurando o novo no rizoma das circunstâncias, invariavelmente, me conduz a uma atração permanente pela surpresa, pelo anúncio do porvir, pela notícia desencadeadora de alguma mudança. Por isso, acho que o mundo pode girar em torno do pensamento daqueles que acreditam na mudança – para melhor, é claro! – e ajudam a prepará-la.
Aliando essa minha já afamada coragem à minha já propalada intuição, manifestei em voz alta (a uma prima, no telefone), há alguns meses, que brevemente me mudaria de residência; disse isso como que num lampejo revelador, num anúncio não calculado... Sabe essas coisas que não sabemos exatamente quando acontecerão, mas temos certeza de sua futura consumação? Pois é... Na verdade, eu não havia planejado isso, e nem mesmo sabia conscientemente de tal coisa... Apenas intuía, com o cabal tom das certezas inexplicadas, que brevemente passaria por uma mudança! E especifiquei o tipo e o destino de tal mudança, acredite se puder!
E, realmente, em pouquíssimo tempo se operaram mudanças representativas na minha dinâmica normal de vida: mudei de residência e mudei também alguns hábitos, curiosamente ao mesmo tempo.. Ingressei numa fase mais solar!... Na mudança física, rearrumei coisas fundamentais (lembranças altamente memorialistas), me desfiz de tralhas absolutamente desnecessárias, fiz doações, e – como não poderia deixar de ser – adquiri muitas coisas novas. Mudar, porém, não é algo que se refira a reestruturações meramente materiais: mudar implica repaginar uma parte substancial da sua vida, em que lugares, móveis, adornos ou utensílios novos não são os únicos bens de consumo desejáveis. Naturalmente os adquirimos por circunstâncias de adaptação ou aproveitamento do novo espaço, mas também o fazemos porque, de certo modo, é como se estivéssemos nos vestindo de roupagens coloridas e preconizadoras. Sim, mudar pode ser um recado de sibilas: isso pode trazer sorte ou luz, na medida em que é necessário ao homem girar na roda rizomática do planeta, onde nada para ou estaciona para sempre.
Como o para sempre é um prazo muito longo – embora isso seja possível em alguns casos –, filosoficamente, e para algumas situações da vida, prefiro acreditar no ultimato de alguns fatos, algo que anuncia urgir um novo fenômeno, alguma modificação decisiva que confirma o fato de você estar num planeta redondo. E a circulação de pessoas ou energias pode ser uma necessidade tão grande a ponto de ser essa rotatividade a mola propulsora de mecanismos vitais.
E o fascínio da mudança é um silogismo de fácil conclusão, afinal quem não gosta de comprar roupa nova, de ir a um lugar diferente, de experimentar novos sabores, visuais e terapias? Que grande motivação não causa uma repaginada no look – principalmente às mulheres no tocante a cabelo (risos) – ou aquela viagem inesperada com hospedagem num hotel que você não conhecia? Sim, é muito bom que nossos roteiros não sejam previsíveis a ponto de sucumbirem ao encanto da surpresa! É necessária uma grande dose de dinamicíssima novidade para alimentar a constância dos dias.
A Terra é redonda, a roda tornou o mundo mais ágil e produtivo, e a moeda precisa circular para seu contínuo posicionamento no mercado. Assim, aliás, pensava uma das figuras mais decisivas do baronato do café no Brasil – Joaquim José de Souza Breves, o Rei do Café. A propósito, certa vez ouvi que ele seria considerado por alguns como o detentor da maior fortuna do país em todos os tempos (proporcionalmente a algum critério estabelecido, não sei bem qual). E ele – possuindo numerosos e vultosos bens, que expandia enormemente, mais e mais ao longo da vida (teria chegado a ser um dos financiadores da Coroa imperial) – era um defensor da natural circulação do dinheiro, sem que seus dobrões fossem alguma perniciosa prisão. Em outras palavras, era um mão-aberta. Chegara mesmo a dizer que a moeda, por ser redonda (referia-se aos dobrões de ouro do seu tempo) precisava circular, girar constantemente, não podendo ser retida, guardada ou poupada inutilmente; ao contrário, necessitava mesmo sair do bolso, sucessivamente, para a ele retornar. Ele era um afortunado empreendedor e negociador que acreditava na rotatividade, no caso, na mudança constante e giratória do destino de seu dinheiro, a fim de que este adviesse, novamente, pela própria força de sua impulsão primeira.
Trazendo o caso para a necessidade de rotatividade de experiências, sensações, atos e lugares – necessidade essa que não conhece barreiras de tempo ou espaço –, concluo que a circulação e a mudança de seu modo de vida (naturalmente em certos aspectos) primam pela sua renovação pessoal, na medida em que – como na circulação dos dobrões de ouro – nos tornamos rotativos na dinâmica da vida e retornamos ao ponto de partida mais renovados, fortes, recarregados de energia e bagagens rizomáticas de saberes e sentimentos... E cada engrenagem dessa rotatividade vai puxando a outra, simultaneamente aos múltiplos elos que se estabelecem, intercomunicam e harmonizam... Rizomas e hiperlinks no sistema interativo da vida.Que venha para mim a mudança preconizada! Afinal, não tenho medo de metamorfoses ou da rotatividade dos pêndulos da minha existência.
Por Sayonara Salvioli
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A rotina é má companheira

A rotina é uma velha senhora com reumatismo. Nunca fiz nem nunca farei amizade com ela. Amo o colorido descompromissado das horas de liberdade... Essas que não conhecem hora ou impõem tempo exato num determinado evento.
Sempre fui muito responsável, cumpridora de minhas obrigações. Porém, honro meus deveres de modo muito peculiar: escolhendo meus momentos de lazer e minhas horas de trabalho. Também sempre corri atrás do tempo em galope cerrado, e nunca deixando que ele se apartasse de mim de modo muito distanciado. A verdade é que tenho uma história de amor com o tempo; temos uma cumplicidade própria daqueles que se entendem numa simples unidade de cronômetro.
E não pense, meu leitor, que – na minha evasão propositada de horas – deixo que o tempo escorra entre os dedos... Nada disso! Quando vejo que ele está fugindo de mim – impedindo-me ou atravancando minha sagrada missão de ser feliz –, pernas-pra-que-te-quero... acelero o passo, preparo a corrida e o resgato aos laços do meu desejo! Sim, o desejo... Deste sou amantíssima, e com o amigo tempo formamos a trilogia aristotélica da busca pelo bem-estar existencial.
Tomara que você não considere não poder me entender com tais jogos de palavras. Na verdade, será bem fácil me compreender se você considerar que já correu atrás de algum tempo fugidio... Sim, porque para mim o tempo, mesmo corredio, precisa estar ao meu alcance; tenho necessidade absoluta de ser dona de meu tempo-espaço: senhora do meu lazer, do meu sono, da minha vigília, do meu dever e das minhas horas de buscas metafísicas!Quantos e quantos posts não serão necessários para qualificar, dimensionar, classificar ou mensurar o tempo?... Textos e mais textos conterão a mensagem das minhas aspirações temporais, atemporais e extemporâneas. Acho que preciso mesmo – sempre! – me adaptar com suaveza ao universo de meu entorno. Falando de modo mais claro, quero dizer que necessito domar naturalmente aquilo que acontece à minha volta, posicionando-me com uma vontade altaneira, a qualquer tempo.
Lembrando Drummond, eu diria que procuro repartir muito particularmente as minhas fatias de tempo: há a fatia da reflexão, a da obrigação, a do divagar criativo, a do ócio positivo, a da produtividade acelerada, a da conclusão de missões. Sempre levo a cabo o compromisso estabelecido e assumido, mas antes de bordar o meu bastidor com fios de ouro, esquivo-me do tom metálico da hora inflexível... Faço minhas leituras, assisto a meus filmes, ando pelas ruas, passeio pelo shopping e me permito lautos lazeres gastronômicos antes, por exemplo, de me sentar ao computador por vinte e oito horas seguidas... Sim, sou capaz de produzir como uma máquina humana – como alguns generosos amigos me qualificam (risos) –, porém, antes, preciso estar feliz e solta, dona da minha decisão e do meu tempo. Após relaxar, passear e inventar um lazer de minutos, sou capaz de uma tarefa de dias! Sou assim: 8 ou 800 na acepção dos sentidos.
Já ouvi dizer que ninguém faz por muito tempo aquilo de que não gosta. Considere, pois, aquilo que lhe dá prazer e aquelas coisas que você abomina... Estas, com certeza, você acaba por afastar de seu tempo diário. São essas coisas que constituem a tal rotina, vilã do prazer e da dinamicidade da vida.
No fim de contas – do tempo! –, acho mesmo que o importante, além de reter e atrair para si a largueza do chronos, é tentar subdividi-lo nas diversas escalas das suas intenções: achar lugar e momento para tudo. Como numa ampulheta, não podemos deixar que ele se disperse no nada... É preciso manter o fluxo das areias dos momentos! E, multifacetado pela lei dos seus instintos e sentidos, o tempo poderá ser como o gênio da lâmpada para você: o senhor dos seus desejos!... Utilize-o, pois, na medida equilibrada de seus ideais mais fortuitos! E não se esqueça: repudie uma amizade com a Sra. Rotina! Passe léguas distante de suas chibatas de couro!
Sayonara Salvioli
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Uma corte de 640 anjos

Seiscentos e quarenta anjos pairam sobre a minha cabeça!...
O que é isso?! Preâmbulo de argumento para algum filme? Louca evasão de idéias metafísicas? Não! Apenas uma fala de um de meus sonhos abençoados. Sim, eu os tenho. A propósito, já reafirmei aqui (5, 6, 7 vezes?) que acredito no poder oculto do onírico e, naturalmente, sou sua adepta. Costumo lembrar-me de muitos de meus sonhos, com imagens intensas, vibrantes e detalhadas... Não sei o que diriam Jung, parapsicólogos ou espiritualistas sobre isso, mas creio que enquanto durmo me conecto com uma dimensão especial e – ao que parece – converso com anjos, deles recebendo mensagens, idéias cifradas e bênçãos.
Num outro post sobre intuição a que me referi – que fiz há cerca de seis meses (datado de 26 de dezembro de 2008... leia!), eu ressaltei que a minha poderosa intuição não apenas me alerta contra fatos ou situações de perigo, como também me traz notícias adiantadas de coisas boas, numa sensação leve e de regozijo que é capaz de antever momentos meio mágicos... E que, posteriormente, eu narraria isso aqui. Pois bem, fiz isso no post anterior e repito ora a dose, lembrando que tais “boas antecipações intuitivas” constituem fatos já comprovados em minha escala de felicidades. Porém, descrever com profusão alguns desses momentos mágicos seria matéria para livros e não apenas para posts. Por isso, vou ater-me à narração da vez, magnífica sensação que tive há algum tempo... Sonhei que estava numa grande casa (a casa da minha infância, com a qual sonho muito), junto de minha mãe e de um simpático senhor – com cara de anjo tornado homem – que era angelólogo (especialista em anjos). No meio de suas explanações sobre o assunto, ele disse à minha mãe, referindo-se a mim:
– Neste momento, uma corte de 640 anjos a acompanha.
Minha mãe, na mesma hora, repassou-me o anúncio. E eu – com o ímpeto que me é peculiar – me aproximei do suposto anjo terreno e perguntei:
– Como assim... 640 anjos?! Isso é possível?
O homem assentiu com a cabeça, com um sorriso entre o célico e o complacente. E acrescentou:
– Agora mesmo eles estão pairando sobre a sua cabeça. Isso tem acontecido permanentemente.
Em outro arroubo, arrisquei nova pergunta:
– E qual é a média de anjos por pessoa? Em casos assim, quantos anjos costumam acompanhar um ser humano?
Lembro-me com perfeição imagística dos olhos do angelólogo me fitando e dizendo:
– Minha filha, há pessoas que não têm nem mesmo um!
Fiquei impressionada. No sonho e na realidade. E, em ambas as dimensões, agradeci a Deus pela concessão de tamanha beleza em palavras tão profícuas, aparentemente sinais de dádivas.
Ao longo da vida, já sonhei – neste caso, algumas vezes apenas – com o Divino Superior que nos rege. Estas posso aqui contar facilmente, pois dentre as lembranças mais importantes, foram somente três vezes...
Na primeira (emociono-me ao narrar), sonhei com Jesus Cristo... Ele estava em minha casa e me dirigia uma grande bênção com as mãos (O entendimento veio cerca de um mês depois: recebi uma grande dádiva, na ocasião, algo que eu almejava havia algum tempo).
Na segunda, simplesmente restou a lembrança de que havia sonhado com Deus (acho que aí, num relance, cristalizou-se, na concepção de meu pensamento, a imagem de Deus-pai, tal como é pregada na concepção difundida da Santíssima Trindade). Foi um sonho naturalmente lindo, cheio de luz! Naquele mesmo dia aconteceu algo maravilhoso, e eu pude facilmente compreender a magnitude do sonho e seu reflexo imediato em minha vida.
Da terceira vez, sonhei com essa maravilhosa e suscetível revelação da presença angelical, multiplicada por 640 vezes!!! Algo esplendoroso!... Pois bem, como sempre, fiquei esperando algo fora do comum acontecer, algo muito bom... E daquela vez, meu caro leitor, a feliz notícia oculta levou o prazo exato de uma semana para se revelar; exatamente sete dias depois, entendi o novo motivo!
Analisando melhor o foco deste post – meu belo sonho angelical de algum tempo atrás –, chego apenas a uma conclusão motivadora: a certeza de que tenho uma poderosa proteção, tal como é interpretada a aparição de anjos em sonhos (especialmente tantos deles!). E novamente agradeço aos Céus, pois sempre é tempo de agradecer e louvar a Magnanimidade Divina.
Quanto ao poder extraordinário das revelações e à exacerbação numérica – ou célica – de meus 640 anjos (o leitor não imagina como isso me deixa com a sensação de protegida!... rs rs... ), são elementos ocultos que me fazem lembrar Shakespeare: “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que julga nossa vã filosofia.”
Por Sayonara Salvioli.




