sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Será o efeito RESSONÂNCIA SCHULMANN?!



A cada nova transição anual, aumenta a nossa impressão (será apenas isso?!) de estar o tempo passando mais rápido... Junto dessa sensação vem também a consciência de mais um fechamento de ciclo terrestre, vital ou algo equânime. E essa consciência dá mesmo conta do tal ritmo acelerado do calendário. Novamente a passagem demarcada do que chamamos convencionalmente de ano... Ano-calendário, ano astral, anos-luz... Serão todas essas medidas tão relativas quanto nosso pensamento variável e nossas percepções das coisas? Ora, para a Física Quântica ou para a nossa crença cristalizada, como poderá ser explicada essa inefável pressa do tempo, a mesma que propicia a travessia (telúrica?) de uma década inteira sem que possamos nos dar conta de tamanho intervalo?

O tal e propalado aceleramento do tempo tem me queimado as pestanas! Ora, essa perceptível velocidade do chronos não pode ser, meramente, produto de nossa concepção de vida e de mundo quando adultos... Certamente não é porque crescemos e aumentaram nossas atividades que vemos o tempo passar tão rapidamente... Todo ano é a mesma história, já consagrada pelo cronograma familiar, escolar, empresarial ou das convenções publicitárias: Natal, Ano Novo, Carnaval, volta às aulas, Páscoa, Dia das Mães, Corpus Christi, Dia dos Namorados, chegada do inverno, férias de julho (no Brasil), Dia dos Pais, Primavera novamente, Dia da Criança / Festa da Padroeira do Brasil, Finados, Ação de Graças... e lá vem o Natal novamente! Tudo numa pressa de quem “vai tirar o pai da forca”, como se o Senhor Tempo se embrenhasse atrás de nós com o ponteiro invencível das horas!... Indócil e a portar o relógio indomável da irreversibilidade do passado!...

Aposto que você já se questionou sobre esse fenômeno de ver o tempo escorrer pelos dedos, aparentemente muito mais rápido que nas idealizadas (e preconcebidas) medições de uma ampulheta... Ora, esse instrumento, simbologicamente, já reporta à idéia de efemeridade ou transitoriedade da vida... E estaremos, afinal, suscetíveis a um aceleramento temporal inevitável? O tempo realmente passa mais rápido a cada ano ou essa é uma impressão ilusória e relativa a novos paradigmas de cotidiano? Especulações filosóficas, metafísicas e divagações físico-quânticas à parte, é possível chegar à aceitação lógica do que se prega na chamada ressonância Schulmann.

W.O. Schulmann foi um físico alemão que, em 1952, fez uma descoberta interessantíssima, detectando e prevendo matematicamente o que, tempos depois, receberia o nome de ressonância Schulmann em sua homenagem. Leonardo Boff escreveu a respeito: Schulmann constatou que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera que fica cerca de 100 km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (daí chamar-se ressonância Schulmann) mais ou menos constante da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de "marca-passo", responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma freqüência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação que não podemos ser saudáveis fora desta frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schulmann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um "simulador Schulmann" recuperavam o equilíbrio e a saúde. Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa frequência de pulsações, e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80 e de forma mais acentuada a partir dos anos 90 a frequência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido a uma aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real neste transtorno da ressonância Schulmann.

Cientificamente, pois, aí estão as bases que explicam a minha sensação – consciente e perene – de que o tempo voa cada vez mais! Com isso, de certa forma, também aumentam nossas responsabilidades de “sinergia responsável” com esse biorritmo exigente e implacável. Acho que nos resta, sem dúvida, a autoarbitrariedade em desenvolver metas, prover recursos e executar planos de ação compatíveis com as nossas expectativas pessoais de vida. É preciso lançar mão desse mesmo tempo arrebatador para fazê-lo também “presa de nossas vontades”, comparsa de nossos ideais e mentor de nossas aventuras. O tempo urge, a Terra gira, o coração sonha e a mente realiza!... Silogismos palpáveis, não é mesmo? Assim os consolidemos, na medida de nossa força e vitalidade perante o Cosmos. E quanto a ele, o Planeta? Ora, é preciso cuidar para que não se perca em catástrofes já prenunciadas; recorrente se faz a necessidade de planejamentos de preservação e sustentabilidade, ante a utilização adequada e respeitosa dos mananciais naturais. Ecologia, hoje, já não deve ser um ideário simples; mais que isso, se tornou um manual incontestável e pragmático de sobrevivência.

Voltando ao campo pessoal, que tal não deixar que mais horas se percam? Não seria o caso de executar aquela ação, visitar aquela pessoa ou, simplesmente, preparar aquele sonho já neste período do ano? Faça isto, e adapte as circunstâncias dos tempos ao biorritmo natural de seu pensamento e, por conseguinte, de sua vida!... A ampulheta daquele antes chamado destino está em suas mãos.

P.S.: Deus e a Ciência não tomam caminhos diferentes. Não raro, lemos depoimentos de cientistas: cosmólogos, físico-quânticos – que apregoam sentir e, mesmo, constatar a presença de Deus nas suas pesquisas. Independentemente, pois, de suas convicções, confie, acredite na magia divina que tem um poder de aquecimento dos corações ainda maior que o fenômeno global que interfere no equilíbrio da Terra. Esse poder é sentido na calorosa magia que parece perpassar a Terra na época das Festas. Faça, pois, a sua parte, como ser consciente e integrado, e encontre e desenvolva o seu Céu particular! Idealize e pratique o seu raio de ação universal em todos os seus (novos) tempos!

domingo, 20 de dezembro de 2009

A memória afetiva do Natal


Creio que seja a memória afetiva de uma pessoa o seu manancial mais sagrado. E creio que nenhuma outra data tenha um poder de rememoração como o Natal: não há quem não se emocione ou, ao menos, não se deixe envolver por uma leve nostalgia quando o assunto em pauta passa pela casa do Papai Noel. A uma simples menção da festa da Natividade, vêm logo à nossa mente aqueles fatos que remontam ao passado, à cadeia de acontecimentos sucessivos que vão se desenhando ao longo da vida de alguém, dando-lhe um caráter próprio. E nada pode ser mais genuíno que traços e histórias familiares vividas na infância e, de modo especial, no Natal de cada ano!...
Talvez seja a data natalina a mais agregadora do nosso convencionado calendário, principalmente porque tem a função primordial de unir a todos, condensando idéias (originalmente, pelo menos) de alegria, festa, doação, solidariedade. É o Natal também como um álbum de família cujas imagens parecem se manter numa indelével linha do tempo!... Quem é que não tem na mente, por exemplo, aquele painel de infância ao redor da árvore de Natal ou esperando o presente sonhado? As trapalhadas dos primos engraçados, as risadarias sem fim... Na memória parecem ficar para sempre até os barulhos e os sabores da ceia, do farfalhar dos papéis de presente e de uma bola se quebrando na árvore de Natal... Ouviu o ruído levemente estridente aí na sua mente? Pois eu ouvi quase perfeitamente!...
Discorrendo sobre isso, lembrei da minha Caloi vermelha cheia de fitas coloridas no guidon! E da Anda Nenê, do Genius, da casinha de bonecas da Atma (imortalizada pelo comercial) e dos jogos da Grow (será que ainda existem?).... Também me estampam o imaginário as vendas ininterruptas de presentes, às vésperas do Natal, na estimulante e colorida loja de meus pais. Na televisão, Scobidoo e O Natal dos Flinstones... Os filmes de Natividade, as celebrações descontraídas de amigo oculto... Lembram-me, ainda, os livros coloridos de Polux e Mabel... e o livro de histórias em que os brinquedos ganhavam vida à noite!... Quanto encantamento! Houve também um Natal em que me vesti de Virgem Maria num presépio humano, na festiva chácara de meus amigos Ubaldo (saudoso!) e Ilma. O único senão foi o fato de não dispormos de um bebê de verdade e, por causa disso, meu boneco Fofinho representou o papel do Menino Jesus. Os anfitriões foram gentis e altruístas, e fizeram vir do céu um helicóptero repleto de presentes também para as crianças que não tinham Natal. Aquilo foi uma verdadeira festa de solidariedade! É claro que não tive tal alcance de compreensão à época, porém mais tarde pude enxergar a Cristandade presente no ato. E é desse espírito e dessas lembranças natalinas que o mundo anda precisando hoje, creio. Talvez seja mesmo esse resgate original de lembranças a saída para se ilustrar o Natal com as suas verdadeiras cores, em todas as gradações e nuances da alegria, da generosidade e da reciprocidade de sentimentos.
Enfim, é o Natal, com toda a certeza, um dos marcos cronológicos – de significação religiosa e cultural – que mais tem apelos na história das pessoas. Por isso, na significação essencial de sua celebração – o Menino-Deus renascendo pelo amor –, seu sentido não pode se perder, isso é certo. Esqueçamos a crítica da publicidade da época. Apenas pense que é tempo de Natal!...

Desejo que a festa da Natividade materialize o ideal da lembrança, dos sentimentos e emoções plantados na memória, em algum ponto,,. Esquecendo a pressa e as transformações do tempo, é necessário resgatar com o Natal um pedaço importante da sua história de vida e daquilo que constitui a sua referência original como ser humano. Nesta festa natalina, pois, tente esquecer e driblar os atropelos de Mr. Chronos, atraindo para a sua lembrança e para a sua vida a magia própria dos tempos de criança! Seja original, viva seus sonhos, cristalize seus hábitos genuínos e, acima de tudo, faça sua introspecção nas horas mágicas da Noite de Natal!... Busque a si mesmo e encontrará o próximo, o amor, a vida em sua plenitude!...
Por Sayonara Salvioli

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Por Hipócrates!


Você conhece alguma pessoa que possa classificar como absolutamente normal? Antes de responder, não se esqueça das sábias sentenças de Tolstoi e de Caetano... 
Karina diria que não é absolutamente normal qualquer pessoa com a qual conviva e se dê bem. Segundo a própria, aliás, ela atrai pessoas não normais e adoravelmente loucas... Sim, porque os ditos loucos, na verdade, são as pessoas mais criativas e interessantes que conheço, ela afirma.
A coisa é tal que até ao procurar ajuda para algum problema de saúde, a moça se depara com médicos um tanto fora do senso comum... Como naquela vez em que, sofrendo de fascite e não arranjando tempo (nunca!) para fazer fisioterapia, teve uma nova crise de dores no pé direito... E o pior: sempre na época do Natal! 
Era a segunda vez que o problema ecoava em agudos gritos de dor na prévia da festa natalina. E Karina, como sempre, recorria aos médicos plantonistas da época. Daquela vez, por sorte, não procurara nenhum pronto-socorro de madrugada (como era seu feitio) e, assim, procurara um ortopedista, especificamente. O bom também fora que, assim que adentrara o setor e preenchera a ficha, o médico logo chamou:
– Karina Pereira Flandres. 
E a moça se adiantou, adentrando o consultório. Logo se sentou e deu um sorriso de convenção para o médico, que do outro lado falou:
– Senhorita... Karina, o que há? Algum problema? 
A mocinha, pouco paciente que era, teve vontade de dizer: não, imagina, gosto de visitar hospitais, ou: senti que, se viesse até aqui, poderia conhecê-lo, ou, ainda: a época de Natal me estimula a aproximação de pessoas enfermas, e por isso estou aqui como voluntária... Mas ela conteve seus ímpetos pouco admiráveis (Dona Wilma não a educara assim) e disse apenas:
– É que tenho fascite e...  
O médico era um completo aloprado e não lhe permitira continuar.
– Ah, sim, fascite plantar... é uma dor própria da fascia plantar. Fasc... vem de facia, portanto, fascite: inflamação da fascia, entende? 
Karina só balançava a cabeça afirmativamente.
– Então, como eu ia dizendo, se trata de uma inflamação, às vezes grave e irreversível, provocada por traumatismos de repetição na base da tuberosidade medial do calcâneo, se é que me entende... 
Karina dá um riso sem graça, e inquire o médico:
– O senhor não vai examinar o meu pé? É o direito. 
– Ah, sim – diz o médico louco, que segura o pé esquerdo da moça e continua a discorrer sobre a disfunção: – Está vendo aqui... essa protuberância... São as forças da tração no ponto de apoio que causam a ite do caso, quero dizer, a inflamação, o que acaba ocasionando fibrose e completa degeneração das fibras fasciais originadas no osso. Entendeu? 
Estava claro que Karina não entendera nada, principalmente porque aquele não era o pé acometido. Mas ela sabia que de nada adiantaria chamar a atenção para o pé certo. Já o dissera, e ele fez ouvidos moucos. Então ela ia educadamente assentir que sim quando seu interlocutor, sem absolutamente se importar com a sua opinião, mandou uma seta:
– A obesidade costuma ser uma das causas.
Assim também era demais. E Karina não se conteve: 
– Que é isso, doutor? Como assim... obesidade? Sou manequim 38! Acho que estou muito bem para os meus dezenove anos!
– Talvez já haja em seu organismo alguma predisposição para futura obesidade, e neste caso algum ponto de apoio esteja sendo atingido por um tipo de peso concentrado ou coisa parecida...
– Mas como pode haver uma consequência de um peso que ainda não existe, doutor?

– Minha filha, você quer refutar as afirmações de Hipócrates nos tomos Das Articulações e Das fraturas?
– Fraturas? Mas não tenho nenhuma fratura no pé! 
O médico, agora com ares irretrucáveis de louco inconteste, aloprou de vez:
– Menina, você é muito teimosa! Por Asclépio, Higia e Panacea, eu não estudei pra isso! E nem sou expert em casos de fascia plantar... Minha especialidade é esmagamento e amputação! Está aqui o endereço do meu consultório particular para o caso de precisar me procurar. - e estendeu a mão ossuda com um cartão (nada) de visitas. 
Karina arregalou os dois olhos já muito grandes: O que aquele louco pensava em fazer com ela?
O doidivanas, porém, por uns minutos demonstrou certa normalidade convencional ao formular sua receita:
– Apesar de não ser essa minha especialidade, vou te prescrever inicialmente – mas veja bem: apenas inicialmente! – a terapia da crochetagem mioaponeurótica.
– ??? 
– Mas vou já te mandar pro meu colega Paulo de Tarso – e lhe deu um cartão do colega. – Você vai precisar se submeter a duas sessões semanais, ao longo de um período de um pouco mais de um mês, cinco semanas para ser preciso. Apenas se lembre: nada de saltos-agulha, nem alimentos condimentados, nem esforços concentrados. Limite suas ações e ingestões nas festas por causa do pré-operatório!
Karina não entendera absolutamente nada. E o doutor não explicou o que era crochetagem... A moça desconfiava tratar-se de algum tipo de fisioterapia, algo específico para os membros inferiores, mas não conseguia pensar direito com aquele aloprado lhe impingindo os ouvidos de aparentes impropérios. Mas a paciente se deu por feliz de passar as mãos na receita e poder sair dali... Despediu-se do médico com poucas palavras e praticamente fugiu da clínica. Uma vez lá fora, resolveu pegar na bolsa o cartão do profissional indicado, e quase teve um treco quando leu: Paulo de Tarso Duboc, cirurgião de pés – casos irreversíveis de traumatologia. 
A moça não sabia se ria ou chorava, se desconsiderava o ortopedista louco ou se desenvolvia um pavor imediato por atendimento de profissionais não-indicados... Resolveu, então, que finalmente iria procurar o fisioterapeuta indicado pela tia. Afinal, essa história de – por uma simples e inicial fascite – ser levada a um atendimento por um especialista em esmagamento e amputação, que, por sua vez, a indicava a um fazedor de cirurgias irreversíveis de pés era mesmo de assustar... até a ela! Coisas que só acontecem com Karina e seu despropositado modo de levar a vida...


Por Sayonara Salvioli