quarta-feira, 3 de junho de 2015

Chave-mestra


Ela me acompanha mais que a minha chave de casa; carrego-a na bolsa como utensílio indispensável de sobrevivência. Segreda-me coisas nebulosas e obtusas, aclara-me circunstâncias, avisa-me sobre fatos menos importantes e me previne quanto a perigos ou pseudoperigos. Traz na sua essência – e origem – a propriedade miraculosa de salvar vidas.
Como grande amiga que é – uma das maiores –, cuida da minha distração e lustra o brilho intempestivo do acaso. Nas noites, aparece-me em forma de sonho; nos dias, como clarividência anunciada, em lances e relances instantâneos de imagens mentais. Alerta-me até sobre o que preciso colocar na bolsa [isso ou aquilo vai ser útil nas próximas horas! E como o é!].
Ela é certeira, quase tão precisa como a respiração. Tem um filtro para a verdade e não costuma falhar em suas predições; pode no máximo ser mal interpretada. Isso porque ela não conhece o engano ou a surpresa: mesmo na rotina, traz-me os fatos [e pré-fatos] numa bandeja de prata, com o prato da notícia e o samovar da consumação, em primoroso serviço de quarto!
Ela tem o sentido aguçado do feminino em sua altivez na conjuntura cósmica. Vê com olhos de mulher e racionaliza com mente de homem. Perscruta o mundo e o humano com mais perícia do que o fariam agentes ultrapoderosos e pioneiros da antiga OSS. Vasculha os cofres insondáveis de minha existência e de meus pertences. Profetiza conflitos, neutraliza guerras, propõe conciliações, reforça alianças e realiza negócios, às vezes sem meu consciente conhecimento prévio.
Percebo que ela tem ficado mais forte e extravagante com o passar dos anos: tem se vestido com roupas brilhantes e telúricas. Na ilha do onírico, sinaliza com luz mais intensa que a de um farol! Ela não usa discrição e é arrojada, mas também possui atributos arraigados, uma face mais tradicional... tem até intimidade com as antigas escrituras. Possui peso [vale quanto pesa: quilate de ouro puro], tem palavra - que nunca "volta atrás" - e honra seus compromissos, com prazos cada vez mais rápidos e invariáveis. No decurso de dias se materializam no real suas anunciações de sibila.
Muitas vezes, acho que ela é feiticeira, que tem dons sobre-humanos, pois se adona do meu sono ou do meu despertar. Escuto-a, respeito-a e cultivo sua amizade, sua presença cabal em minha vida. Sinto-me mais preparada para as aventuras, venturas ou adversidades com os seus conselhos. Sou feliz por tê-la ao meu lado. E quero alimentá-la com a minha fé e o meu sorriso franco de abertura. Sou grata à Providência por havê-la reservado para mim. Dia desses ela me contou uma novidade extraordinária que deixou meus olhos brilhando!...
Inscrição nas estrelas, dom paranormal, mãe da gnose, guia espiritual, mão de fada, asa de anjo, presente de Deus... Chave-mestra, é a chave da minha casa espiritual e, por isso, pode me abrir todas as portas! Ela é a minha grande inseparável amiga dileta: a minha INTUIÇÃO.

Por Sayonara Salvioli

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A MULHER COR-DE-ROSA





A MULHER COR-DE-ROSA

Não, não se trata de uma teoria de minha autoria. Aliás, nem minha, nem propriamente teoria, do tipo consolidada. Não é absolutamente como a minha lei da véspera ou a teoria da flexibilidade das verdades... Também não é como a minha chave-mestra, que sempre apresenta soluções e decifra enigmas metafísicos (risos misteriosos). Não, decididamente não é como a tríplice teoria! É apenas uma constatação discutida, talvez um enigma com raízes em Freud. Mas o fato é que acredito na essência filosófica da mulher cor-de-rosa.

Se você não sabe nada sobre o mito urbano da mulher cor-de-rosa, não estranhe e, menos ainda, não se considere desinformada(o). Esse não é um assunto corrente. Mas eu estou certa de ter ouvido algo a esse respeito já há algum tempo...

Explico-me: chegou até mim a rósea e conceitual ideia de que a mulher tipicamente mau-caráter nunca usa rosa. Absurdo? Impropriedade? “Teoria” furada? Nada disso! Tenho observado vida afora – desde que fiquei sabendo dessa abordagem – que mulheres de sentimentos pouco nobres não costumam ser vistas vestidas de rosa, seja qual for o matiz ou a gradação da cor. Equívoco  ou pragmatismo? Também não. Se você é mulher, provavelmente já deve estar revirando a memória emocional e concluindo pela propriedade do approach, aposto! Desde já, pelo menos na maioria dos casos. Agora, se você é homem não deve estar concordando com isso e, mesmo que esteja disposto a refletir a respeito, de antemão já deve estar afastando o conceito do terreno das possibilidades...

Novamente me explico: mulheres costumam ter um bom radar memorial para o perfil geral das colegas de classe. Querendo ou não, costumamos ter na mente um dossiê estilístico de uma personalidade feminina, ou seja, com um pequeno esforço podemos nos lembrar do jeito de ser ou de vestir-se de alguma conhecida. Assim, numa rápida retrospectiva mental, em alguns minutos, podemos nos lembrar de rostos e perfis de mulheres pouco afáveis que não incluem o rosa em seu guarda-roupa. Já está conferindo essa verdade aí no seu arquivo de lembranças úteis, amiga?

Mas aos meus amigos – leitores talvez mais analíticos diante de casos assim – eu peço um voto de confiança para o manifesto rosa-shocking. Homens, por favor, não escutem o seu lógico racionalismo, nem exercitem a sua doce tolerância para com o ser “suave e indefesamente” feminino Leitores, não falo aqui de aceitação ou carinho – o que deve permear todo relacionamento. E nós, mulheres – é claro! –  merecemos  mimos, compreensão e atenção. Estou apenas pedindo que homens e mulheres fiquem neutros neste momento em sua análise da alma feminina e, por uns minutos, vejam se essa teoria da mulher-cor-de-rosa procede... Lembrando, nesse enfoque, aquelas espécimens de “filhas de Eva” que demonstram clara tendência para um mal intrínseco de alma!  Falo destas para ilustrar a necessidade de se olhar com certo cuidado para algumas, capazes que são de destruir o planeta (risos)! É evidente que não desejo me expressar contra a minha própria categoria. Apenas estou listando mentalmente uma série de mulheres que não podem vestir o emblema da transparência ou da boa vontade – e se falo disso, repito, aqui neste caso ofereço a pista: a negação absoluta ao rosa, aspecto por mim estudado, entre divagações e algumas comprovações contextuais. 

Acreditem: as más representantes da espécie feminina não apareceram e não aparecerão na sua frente vestidas de rosa – chá, médio, fúcsia ou pink! Por vontade espontânea delas, não! A não ser por uma determinação de algum personal stylist, por força contratual ou em alguma tentativa fraudulenta de parecer quem não são... Ora, está aí praticamente uma forma de identificação à primeira vista! Certamente, isso não quer dizer que toda mulher admirável tenha que ser seguidora constante da Penélope Charmosa. Apenas o contrário é que parece oferecer o resumo conclusivo do conceito: as mulheres do tipo mau-caráter jamais usam tal cor! Ou seja, não é que as boas precisem estar de rosa sempre, e, sim, as más que simplesmente – e nunca – aderem à tonalidade.

Para comprovar perante mim mesma o (já quase) dogma, resolvi buscar no meu baú de registros humanos espécimens designativas da situação. E – após destacar, imediatamente, as três mais veementes criaturas que me vieram à mente – concluí que:

a)    A primeira se tratava de uma mulher inculta e não-bela – e do tipo grosseira mesmo –, que, designada a cargo temporário de mando, o fez com jugo ditatorial, hostilidade, intolerância e equívoco. Ou seja: "meteu os pés pelas mãos" e, em sua falta de sabedoria, angariou somente antipatia. Achava que estava “abafando”, mas quem a circundava apenas a considerava inepta para o tal poderio passageiro. Foi fácil resgatar na lembrança: a pretensa tirana nº 1 jamais usou rosa! Nem por um só dia!

b)      A segunda era uma mulher de jeito e aparência vulgares que insistia na figura de esposa respeitável e boa mãe de família. Fazia notável força para parecer boa gente e forjava comprometimento com o bem-estar de todos. Na verdade, não era nada disso (desconhecia princípios elementares de ética e humanidade), e sim uma adepta do ganha-fácil, sem trabalho ou vocação. Ao imiscuir-se em meio decente, apropriou-se das ideias de outrem e, na primeira oportunidade – associando-se a poderes ilícitos – valeu-se de talento alheio na tentativa  de se dar bem: roubou obra de direito autoral (estabelecido)! Certamente, ela não leu na infância a fábula “A galinha dos ovos de ouro”. E o que nos interessa aqui: nunca, em qualquer tempo, foi vista usando rosa!

c)   A terceira se tratava de pessoa egocêntrica e irresponsável. Nunca se importou com o caráter humano das circunstâncias e, em suas ações, sempre objetivou o próprio interesse apenas, acima de qualquer coisa. Mal-humorada, mal-intencionada e de modos nada gentis, manifestou inclusive, certa vez que: “detesto rosa!”. Hahaha. Preciso dizer mais alguma coisa?

É claro, amigos, que o fato mero de se usar ou não uma cor não poderá medir o caráter de qualquer pessoa – seja esta mulher ou homem. Mas, convenhamos, existe aplicabilidade bastante comprovada no que se refere a certas mulheres, como as que aqui mencionei, não? Acho que valeria um estudo (risos pretensamente psicanalíticos)! Por isso, sugiro: verifique a má amiga, a má namorada, a má funcionária, a má vizinha. E repare no dia-a-dia se ela usa rosa!

Por outro lado, nada mais simpático do que a representante do protótipo de bom humor e boas intenções, aqui defendida nessa pré-apologia, e que podemos chamar de A MULHER COR-DE-ROSA!


Por Sayonara Salvioli