terça-feira, 1 de setembro de 2015



Bolo de aniversário


Não importam o tamanho, a cor, o sabor e o formato. Nem se são tradicionais, inovadores ou artísticos. Naked cakes, bolos esculpidos, uma reunião de cupcakes ou tortas. Importa tão somente que nele se afundem velinhas comemorativas, a fagulharem votos de muitas felicidades e muitos anos de vida para alguém!

Sempre soube que os primeiros foram feitos e cortados no âmago das tradições greco-romanas. Sim, dizem que os bolos de aniversário originais eram, antes de tudo, oferendas aos deuses em forma de guloseimas desenhadas e doces!... Olhe, cá entre nós, Ártemis – a primeira deusa homenageada, a chamada “mãe da fertilidade” – devia ser uma tremenda glutona! Pois foi com todas as honras a ela que gregos antigos, em Éfeso, fizeram um “preparado de pão e mel”, com direito ao formato místico de uma lua. Verdade: o primeiro bolo já foi esculpido: a forma lunar dava à guloseima ares de presente sagrado para autoridades do plano do Céu... Se a deusa gostou não se sabe (Ártemis existiu mesmo?!...rs), mas as massas sucessivas em forma de bolo, essas ganharam para sempre a mesa do Parabéns! Que criança, adolescente, adulto ou idoso nunca teve a momentânea felicidade suprema de soprar velinhas?


Aliás, as velinhas também existem por culpa dos tais (e considerados) deuses antigos. Mas será mesmo que (e)levar até o céu os eflúvios de desejos pela fumaça pode garantir alguma coisa? Será verdadeira essa crença de que os pedidos podem ser atendidos através da emanação das chamas?

Dúvidas conceituais e metafísicas à parte, o fato é que bolo e velinhas fazem parte mesmo de um ritual tão milenar quanto atual. E não falo aqui do simples fato de os romanos já, há tempos imemoriais, terem eleito um dies sollemnis natalis – a festa de aniversário já presente no calendário deles... Refiro-me a algo ainda mais revelador: a existência de inscrições com datas nos túmulos, ou seja, os romanos sabiam precisamente as datas de nascimento deles, registradas junto com a data de morte na lápide. Enfim (esse papo já não está agradando), o calendário de Gregório sempre privilegiou as datas de aniversário, desde há muito! Certo é, então, que o bolo da tradição que permaneceu é, como o conhecemos, um símbolo feliz de rito-passagem, de vida que se renova e sonhos que se concretizam com o correr dos anos...


E, a meu ver, um dos aspectos mais importantes no símbolo comestível é a alegria em torno da mesa: o bolo e a velinha representando a permanência do bem maior – a dádiva dos céus que é a vida continuada, trazendo novas chances e sonhos. Em torno do Parabéns, as expectativas e os bons desejos dos familiares e amigos que ali se reuniram para festejar e agradecer pela vida de alguém que se ama!... História que continua, portal que se abre, energia que se revitaliza. Alegria, cor, expectativa, surpresa, saúde, uma quase perpetuação da juventude, uma ilusória, mas feliz crença de eternidade... Afinal, mais que trigo, amido de milho, leite condensado, chocolate ou coco, todos esses itens de vida são ingredientes do velho e bom bolo de aniversário – com direito à chama brilhante na esperança da vida!





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