sexta-feira, 31 de julho de 2015

Parafusos e parafernálias (mentais)

Parafusos e parafernálias (mentais)

Recebi a seguinte mensagem por WhatsApp há dois dias:
– Prima, você esqueceu seu blazer aqui em casa...
Era a minha querida Angella, anjo de prima! :) Normal o seu cuidado, em se tratando de seu zelo e carinho costumeiros. O incrível, porém, foi a minha resposta (acreditem se puderem):
– Nem me lembrava de haver deixado alguma peça de roupa para trás esses dias!...
Ahahahahah! Creem nisso?
Foi aí que eu percebi o afrouxamento de parafusos nas minhas engrenagens/parafernálias mentais... Andam estas com as peças mais dispersas que de costume, pois antes eu me lembrava do esquecimento recente (sentia falta de algo sumido) normalmente no dia seguinte... Mas o meu desapego pela materialidade cronometrada, pelo visto, se acirra com os anos! Sequer passou pela minha cabeça a lembrança do desaparecimento momentâneo do blazer azul!


Na verdade, isso não é lá muito estranho ao se analisar a minha ficha corrida de distração:
  1.    Já “perdi três aviões”;
  2.  Alguns objetos fogem de mim (quase todos têm características de anima) e, por tal, brincam comigo de esconde-esconde;
  3.  É comum o fato de eu receber, em casa, objetos pessoais alheios (anéis e pulseiras) que a anfitriã da noite anterior acha em sua casa depois da festa e, instantaneamente, julga ser eu a dona dos pertences esquecidos. Tantas foram as vezes em que esqueci coisas por lá!
  4. Já vai fazer um ano que deixei uma jaqueta de couro e um carregador de celular no apartamento de uma amiga querida em São Paulo, peça e objeto esses que foram trazidos para o Rio pela gentil Chris (para a casa de sua mãe) e eu não passei na portaria para apanhá-los (a ponto de tais pertences retornarem na ponte aérea, na esperança, por parte de minha amiguinha, de eu apanhá-los lá)...
  5. Vou ao supermercado, compro não muitos itens (como em restaurantes, normalmente, pois não sei cozinhar), pago-os e vou embora para casa, às vezes correndo, com algum novo capítulo na cabeça (a ponto de as caixas me chamarem: Senhora, suas compras!)... Algumas vezes já vieram atrás de mim na calçada!
  6. Meu vizinho costuma tocar  a campainha do meu apartamento – reiteradas vezes –para me entregar a chave que deixei na porta do lado de fora.
Quanto aos aviões, já parei de perdê-los. O último aliás foi num Congresso de Jornalismo em Porto Alegre, quando deixei meu notebook para trás e, como não sei viver sem ele, preferir arriscar-me a perder novo avião a partir sozinha... Não me deixa mentir meu querido colega Tiago Ritter, a quem dei um trabalho (a maior correria) de colocar a língua pra fora!... Aí, pelo seu empenho, e chegando de volta rapidamente ao Centro de Convenções, calculei erroneamente que ainda pegaria o avião da vez... Porém, no caminho de volta peguei a maior “tranqueira” (como dizem meus adoráveis amigos gaúchos) e, mesmo com todo o esforço do taxista que me levou ao aeroporto, não cheguei em tempo hábil... Ah, como foi o esforço do gentil taxista? Veja:
– Calma! Você vai conseguir! – disse o confiante senhor – quando já aportávamos praticamente diante do embarque.


Ao que olhei para os meus pés e retruquei:
– Não há como! Você foi rapidíssimo, mas com esses meus sapatos de salto 13 cm não conseguirei “evoluir” no saguão do aeroporto, fazer check-in, despachar a mala e alcançar o portão em alguns minutos...


Contudo, o gaúcho era trilegal:
– Não seja por isso, minha filha! Então, eu levo a mala pra você!
E não é que, minuto posterior, olhei em sua direção e lá estava ele com a minha mala no ombro seguindo na minha frente com largas passadas?!...
O bom homem até se esqueceu de que a mala tinha rodinhas frontais (e laterais) e seguiu na volada, prestativo e decidido a não me deixar perder aquele avião!
A aeronave da vez, no entanto, não guardou minha poltrona...


Talvez você esteja um pouco apavorado com a minha performance de parafusos soltos, mas pode se regozijar solidariamente comigo, ante o novo estado de coisas: como era o terceiro avião, apenas, que eu perdia, revelou-se ainda boa chance minha com a lei do três, ou seja: como ainda não se deu a quarta vez, não estou condenada a continuar a perder aviões por aí! É bem verdade – como também mostra a minha Tríplice Teoria – que tudo aquilo que se repetiu por três vezes apresenta a tendência clara da continuidade do ato (falho)... Mas, neste caso, prefiro crer que a incidência constante se daria mesmo a partir da quarta vez, entende? (É bem verdade que houve uma quase quarta vez, não é, Chris e Quel? E bem que foi divertida aquela corrida louca até o aeroporto, não foi? Chris, Quel não entende isso... Ela é pisciana de outro decanato, certo?)... Ahahahah!
A verdade é que só ficou uma herança dos (somente) três aviões perdidos: adquiri uma nova mania correlata – a de chegar ao meu aeroporto de destino e não me lembrar de pegar a minha bagagem na esteira... Só isso! Mas também já venci esse problema, pois agora – quando desembarco – fico atenta ao fluxo dos companheiros de viagem e, quando vejo, a minha rechonchuda mala já este me sorrindo e vindo ao meu encontro...
Apenas outro dia, assim como a minha querida prima Angella, meu vizinho Odair (um engenheiro de pensamento notadamente lógico) tocou a minha campainha insistentemente... Olhei para a porta de entrada e vi que as chaves estavam lá (?!). Foi quando ouvi sua voz do outro lado, usando de tremenda sutileza:
_ Sayonara, você deixou sua mala aqui fora de propósito?


Meu Deus! Nova mania!... Mas – também – cheguei tão cansada que adentrei logo a sala em direção ao meu quarto (lembrando-me inclusive de trancar a porta com a chave do lado de dentro) que fiz isso tão bem (trancar devidamente a porta) que até deixei a mala do lado de fora!... Porém, concluo ainda: Desta vez nem esqueci a bagagem no elevador! ;)


Por Sayonara Salvioli

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