segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A chave-mestra


Ela me acompanha mais que a minha chave de casa; carrego-a na bolsa como utensílio indispensável de sobrevivência. Segreda-me coisas nebulosas e obtusas, aclara-me circunstâncias, avisa-me sobre fatos menos importantes e me previne quanto a perigos irreversíveis. Traz na sua essência – e origem – a propriedade miraculosa de salvar vidas.
Como grande amiga que é – uma das maiores –, cuida da minha distração e lustra o brilho intempestivo do acaso. Nas noites, aparece-me em forma de sonho; nos dias, como clarividência anunciada, em lances e relances instantâneos de imagens mentais. Alerta-me até sobre o que preciso colocar na bolsa [isso ou aquilo vai ser útil nas próximas horas! E como o é!].
Ela é certeira, quase tão precisa como a respiração. Tem um filtro para a verdade e não costuma falhar em suas predições; pode no máximo ser mal interpretada. Isso porque ela não conhece o engano ou a surpresa: mesmo na rotina, traz-me os fatos [e pré-fatos] numa bandeja de prata, com o prato da notícia e o samovar da consumação, em primoroso serviço de quarto.
Ela tem o sentido aguçado do feminino em sua altivez na conjuntura cósmica. Vê com olhos de mulher e racionaliza com mente de homem. Perscruta o mundo e o humano com mais perícia do que o fariam agentes ultrapoderosos e pioneiros da antiga OSS. Vasculha os cofres insondáveis de minha existência e de meus pertences. Profetiza conflitos, neutraliza guerras, propõe conciliações, reforça alianças e realiza negócios, às vezes sem meu consciente conhecimento prévio.
Percebo que ela tem ficado mais forte e extravagante com o passar dos anos: tem se vestido com roupas brilhantes e telúricas. Na ilha do onírico, sinaliza com luz mais intensa que a de um farol. Ela não usa discrição e é arrojada, mas também possui atributos arraigados, uma face mais tradicional... tem até intimidade com as antigas escrituras. Possui peso [vale quanto pesa: quilate de ouro puro], tem palavra – que nunca volta atrás – e honra seus compromissos, com prazos cada vez mais rápidos e invariáveis. No decurso de dias se materializam no real suas anunciações de sibila.
Muitas vezes, acho que ela é feiticeira, que tem dons sobre-humanos, pois se adona do meu sono ou do meu despertar, e pode comigo mais do que qualquer outra amiga. Escuto-a, respeito-a e cultivo sua amizade, sua presença cabal em minha vida. Sinto-me mais preparada para as aventuras, venturas ou adversidades com os seus conselhos. Sou feliz por tê-la ao meu lado. E quero alimentá-la com a minha fé e o meu sorriso franco de abertura. Sou grata à Providência por havê-la reservado para mim. Dia desses ela me contou uma novidade extraordinária e deixou meus olhos brilhando!...
Inscrição nas estrelas, dom paranormal, mãe da gnose, guia espiritual, mão de fada, asa de anjo, presente de Deus... Chave-mestra, é a chave da minha casa espiritual e, por isso, pode me abrir todas as portas! Ela é a minha grande inseparável amiga dileta: a minha INTUIÇÃO.
Por Sayonara Salvioli

10 comentários:

Joana P. Fontes disse...

Puxa, SAyonara, eu queria um pouco da companhia dessa sua amiga... rsrsrs

Nana de Paula disse...

Que texto bacana, Sayonara! Como você personificou a intuição! Plástica em literatura, um show!!!!

Elisa disse...

Como é bom ler algo assim, bem escrito, com conteúdo e com beleza! As coisas ficam mais bonitas quando são escritas por você!
PARABÉNS!!!

Luciana C. disse...

A intuição é uma coisa poderosa mesmo. Agora, no seu caso, do jeito que vc a descreve, acho que é uma força fora do comum!!!!! Conheço alguns relatos seus a respeito e garanto que não brinco com seus sonhos ou suas premonições... hehe
Desejo que possa usá-la sempre!!

Cláudia F. disse...

Nossa, Sayonara, esse texto está tão interessante que pode virar um daqueles que começam a circular pela Internet, sabe? Do tipo que causa identificação nas pessoas e por isso elas adotam como um conjunto de ideias que gostariam de dizer, mas não sabem como expressar... Obrigada por ter feito isso por nós!
BJS

tony disse...

concordo com a claudia. esse texto parece com aquelas correntes de reflexão que rodam o orkut... =)

Carlos Eduardo Leal disse...

A chave da intuição é também a chave dos desejos?
Lindo texto.
Bjs
Carlos Eduardo

naya_fabbro@hotmail.com disse...

Simplismente...amei!!!

Paulo Xavier disse...

Parabéns Sayonara, seu texto é fantástico e nos remete à reflexão.

rosana disse...

eu tb quero essa chave !!