domingo, 31 de maio de 2009

A lei da véspera



Não sei se todos poderão me entender (ou acreditar), mas – dentre outros princípios intuitivos – instituí para mim a teoria/lei da véspera. Trata-se do seguinte: um dia antes de acontecimento importante, invariavelmente, passo pela já instituída revelação da véspera... É um misto de sentimento e aviso – quase como um ritual inconsciente de preparo – que me faz ficar inquieta, alerta, às vezes estranhamente eufórica... Falo, ora, não apenas da minha afamada intuição de sempre (esta pode me segredar algo alguns dias antes); refiro-me, especificamente, ao instituto particular da intuição da véspera: aquilo que me é revelado ou "adiantado" exatamente um dia antes do fato!
Não vou aqui narrar o que se sucedeu a cada uma dessas vésperas importantes, pois já disse – e reafirmo – que não se trata este blog de um diário convencional. Apenas matizarei a narrativa com leves pinceladas de realidade, ao pintar algumas nuances retratadas na tela do sempre. Sendo mais extensa, descortinarei apenas, quase na totalidade, a tela mais importante: uma véspera inteira, constituída do dia e da noite imediatamente anteriores ao dia do acontecimento...
Era o dia 5 de março de 1988. A noite houvera sido agitada, e eu – naturalmente! – não dormira nada. Sentia algo extraordinário e avisei à minha família que algo iria acontecer. Não estou bem. O dia amanheceu com aparente normalidade, mas logo em suas primeiras horas mostrava a que veio... Não seria um dia como os outros, com toda a certeza. Liguei para o médico da família, que – sobressaltado com o meu relato, por via das dúvidas, foi até a minha casa, examinou-me e diagnosticou: “Aparentemente não é nada, mas fique atenta a partir de agora e, de qualquer modo, vá até a Casa de Saúde mais tarde [Não sou hipocondríaca! Era caso mesmo de se chamar o médico, como verão adiante!].
Sei que você não tem dúvidas quanto ao meu estado de alerta o resto do dia. Mas aquilo também não impediu o que eu havia programado para aquele sábado, especialmente porque para aquela manhã havia um agendamento desejado. Não sou uma pessoa meramente fútil e vaidosa em momentos de seriedade (risos), mas eu estava com hora marcada com um grande figurinista – o meu eterno estilista, o amigo Ewaldo Xavier –, compromisso ao qual eu não faltaria, por certo! No atelier de meu querido designer de moda, eu tive prenúncios de uma véspera alegre, entre previsões e modelitos desenhados para mim naquela fase especial de minha vida (já fim de fase, o que não impedia a criação dos tais figurinos naquele momento)... Pois bem, enquanto Ewaldo desenhava lindos modelos com seu grafite artístico, eu conversava com a amiga Kiki, que também fazia suas sugestões de bom gosto. De repente, comecei a sentir dores... as dores do parto! Tratava-se da véspera!... Passadas algumas horas de um dia agitado, dirigi-me à Casa de Saúde João XXIII, onde nasciam todos os bebês da família, diga-se de passagem. E a noite chegou com seus momentos silentes de véspera... No dia seguinte, no despontar da aurora, às seis horas da alvorada, minha filha nascia! Tratava-se da história de véspera mais feliz da minha vida!...
Apesar de já termos quase precisas ultrassonografias no final dos anos 80, ainda assim, a minha intuição se antecipou à Ciência... Houve um erro na data prevista pelo exame: o nascimento se daria entre 25 de março e 8 de abril... Ledo engano a tecnologia de imagem: Raquel chegou, linda e vigorosa, cerca de um mês antes!... E eu pressenti (e chamei o médico, alertando-o) a chegada do grande dia exatamente pela detecção da lei da véspera!... E acredite, leitor, minha previsão não foi de natureza puramente orgânica, por simples ocorrência de dor física. Não, absolutamente! Não pressenti a situação de iminência apenas por estar grávida, afinal um documento científico, um exame, respaldava tranquilidade de tempo nesse sentido... O que eu senti foi a velha e boa intuição – que sempre me acompanhou – da véspera!
Imagino que você imagine que, para eu relatar as minhas tantas incidências de véspera, eu precise escrever um livro... e não apenas alguns períodos em minha lauda eletrônica. Certamente! Por isso, vou resumir agora para você apenas alguns pontos de uma outra véspera da vida... Em meados dos anos 90, tive uma noite agitada, na qual não preguei o olho sequer um minuto! Desta vez, sabia que se tratava de um perigo, e – incrível! – sabia com quem, só não sabia o quê! Cheguei a manifestar: Está acontecendo algo com a minha amiga Goretti. Pasme, leitor: estava!... No dia seguinte, liguei para a casa dela (descobri o telefone... não nos víamos havia anos!). A discagem durou insistentes segundos de aflição, após os quais seu marido atendeu. Perguntei por ela; ele disse: "Você não vai poder falar com ela, Sayonara." Enregelei, quase morri de medo! Mas ele continuou: "Ela acaba de dar à luz uma linda criança, mas passou muito mal. Agora, felizmente, já está bem..." Ufa! Meu Deus! Minha querida amiga de adolescência, antes tão próxima, estava tendo um filho – sem que eu tivesse notícia, a quase 300 Km de distância! Mas eu detectei o fato... Soube-o na véspera!
Houve também outras vésperas que comentarei levemente aqui, dentre as quais uma que se deu praticamente no raiar de 2000... Esta foi um daqueles acontecimentos de contos de fada... E tal narração esta pauta não caberia, por certo. Vou só contar – em três ou quatro orações – o que ocorreu na véspera: primeiro, ouvi um sábio relato de um acontecimento extraordinário, cujo final me fez desejar ver surgir algo similar. Acho que a fadinha dos desejos passava por ali... E a noite da véspera fez meu coração bater galopantemente, sem saber por quê. Parecia que ele ia saltar pela boca!... O dia amanheceu e eu comprei um bouquet de rosas cor-de-rosa. Depois daquela véspera e daquelas flores matinais, teve lugar no então dia-presente um dos fatos mais marcantes da minha vida. O dia anterior havia sido a véspera de algo assinaladamente importante!
E ainda merece menção uma véspera quase atual, que aconteceu outro dia... Pressenti um perigo na madrugada anterior e cheguei a adiar uma viagem. No dia seguinte – é claro! –, algo aconteceu... E, mais uma vez, passado o perigo expresso pelo alerta, confirmou-se a infalibilidade do instituto da minha teoria-lei da véspera.
Vésperas também há em que grandes coisas – em poucos minutos dormidos – que se me revelam em sonhos... Imagine o poder do onírico unido à lei da véspera!... Asseguro-lhe, leitor: é coisa para sibila nenhuma “botar defeito”! Mas isso é matéria para outro e outro post...
Por Sayonara Salvioli.

7 comentários:

Renata disse...

Demais!!! Acho que no seu lugar eu temeria essas antevisões, profetisa!!!
Desejo "euforia" para as suas vésperas e sucessos no dia seguinte!
Amo as suas crônicas!!!

Janice disse...

Autora:
eu considero essa sua clarividência um dom de verdade! Alguma coisa que vc não tem que temer nunca, mas sim ter como algo que te fortalece!!! Isso é um elo com o Cosmo... No lugar do temor, cultive sempre a fé e pratique oração! E as premonições poderão ser usadas sempre a seu favor e daqueles que ama! Que bom que é forte e sensitiva assim!!!

bruno disse...

olha Sayonara, se vc tivesse usado essa teoria da véspera na sexta-feira 26, a essa hora poderia estar dividindo 55 milhões de alegrias com seus amigos!!!!!!!!! hauauahauaaa brincadeira!

Cláudia F. disse...

Sayonara,
Estou com você: Evaldo Xavier é realmente um estilista fantástico! Também sou fã de carteirinha dele!!!

Eliane Assunção disse...

Acredito verdadeiramente que essa sua inspiração de véspera está a serviço de um Bem Maior, para você e para aqueles que estão ao seu redor. É uma bênção e até uma grande responsabilidade ter uma intuição assim!

Ana Paula disse...

Fiquei impressionada com o relato sobre a sua amiga!!!! A amizade sincera e os bons sentimentos tem um grande poder!!!! Sua história prova isso!!!

Luar Lian disse...

Essa lei da véspera, Sayonara, me deixou arrepiada. Uma coisa concreta dentro da abstrato que a divindade nos foi ensinada...Engraçado, como as manifestações do Universo nos cutucam fortemente, às vezes chegam a doer!! - mas apenas alguns poucos, em alguns momentos, conseguem sentir. Você lida com isso de uma maneira maravilhosa e natural, como deve ser. A intuição é uma das grandes armas de defesa que nos foram fornecidas. Você é atenta e isso já é uma grande graça. Que lindo,que prazer!
Beijos holísticos, sorridentes e amorosos