terça-feira, 19 de maio de 2009

A tríplice teoria

                                                     
        
               
                                                                 Acima, a famosa pintura de Botticelli - A Primavera -
em que vemos representadas as Três Graças da mitologia grega


Por mais que o mundo contemporâneo nos leve a acreditar na exatidão das coisas prováveis, um certo poder metafísico é algo inegável na dinâmica dos acontecimentos. Com isso, quero dizer que creio não somente no que se pode provar por A + B, como também naquilo que – mesmo sob um prisma místico-especulativo – é passível de ocorrência. Assim, leigamente faço minhas observações de princípios astrológicos, bem como investigo inexplicabilidades que me despertam a atenção. Para mim, tudo é ponderável e plausível (mesmo o aparentemente intangível) até se prove o contrário.

Com base em tais alegações, sempre acreditei, por exemplo, na influência dos astros sobre a personalidade humana. A meu ver, o pisciano será, quase invariavelmente, um sonhador amistoso e altruísta, assim como o ariano terá personalidade marcante e espírito de independência; por sua vez, o taurino será fortemente afixado às suas raízes, e os virginianos serão metódicos e bons administradores. Tais pressuposições de minha parte surgiram de minha observação direta de pessoas próximas, representantes desse ou daquele signo. É claro que não acredito em meros apontamentos diários de orientação dita astrológica, como simples dicas do que fazer ou não na segunda-feira (risos esotéricos), mas creio mesmo – reitero – no perfil astrológico atribuído aos signos solares, ascendentes e congêneres.

De modo similar, já demonstrei aqui a minha relação estreita com a simbologia onírica, visto que os sonhos fazem parte da minha sensorialidade cotidiana, numa espécie de antevisão de fatos próximos. Geralmente – guardadas as devidas proporções e correspondências dos símbolos sonhados –, sou sempre avisada de um perigo ou de uma vitória (vide meu post Poderosa intuição, de 20 de novembro de 2008).

Ainda nessa linha de pensamento, tenho feito novas incursões pelo reino do imponderável à medida que vivo. Quanto mais os anos passam, maior é o número de mensagens ou códigos cifrados que os fatos me impõem. E é por isso, essencialmente, que bem-humoradamente venho me tornando uma investigadora do ininvestigável. Parece que acredito poder descobrir quase tudo e, nesse processo, tenho mesmo encontrado algumas respostas. E o mais curioso é que nem sempre tais respostas provêm da ciência em si, mas da observação empírica do humano, não raro em princípios da sabedoria universal. 
Provérbio, para que te quero pode mesmo ser uma máxima na busca de soluções e acertos. Por vezes, uma situação nos faz pensar e pensar, quando a aparente solução para o conflito já está expressa numa frase dita há milhares de anos... Clichês (meramente) aculturados? Não! Pode ser verdade que um sábio oriental ou um visionário árabe já puderam, em poucas palavras, resumir a essência daquilo que procuramos... Você já percebeu?
Tenho mesmo atestado, por inúmeras vezes, a já aclamada sabedoria popular. E um provérbio (árabe) que muito me chamou a atenção, ultimamente, foi o seguinte: “Tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes deverá acontecer uma terceira”. Os árabes disseram e eu não refuto. Observe se não é verdade... Melhor, vamos estender a sentença com aplicabilidades mais amplas e uma adaptação de minha parte: Tudo o que acontece uma só vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes com a probabilidade e a ocorrência de uma terceira deverá repetir-se sempre. Pense comigo, leitor, se algum fato já ocorrido na sua vida – quer em terreno comportamental, quer profissional – não remete a essa compreensão... Realmente, aquela coisa do solamente una vez existe mesmo: há situações que não passam da primeira vez. Explorando mais essa lógica, há acontecimentos que só se dão uma vez + outra consecutiva. Às vezes, até porque se encerra o assunto e não se faz permissível uma terceira ação. E há, sobretudo, aquele fato novo que, após a primeira ocorrência em sua vida, implicará uma segunda ação, uma terceira e assim sucessivamente, sem tempo determinado ou prazo de validade. Tal experiência trata-se do novo incorporado à sua vida, de modo indissociável, perene. Falo aqui daquelas coisas que duram para sempre: um talento que se recria, fortes laços de relacionamento, uma atividade profissional consolidada – como fontes eternamente renováveis, nunca esgotáveis. Talvez seja essa uma premissa de justiça, um atestado de obviedade vital que prega a permanência do que é bom e a exclusão do que é efêmero ou improdutivo.
No fim de contas, essa premissa das três vezes no silogismo dos fatos novos me reporta a uma outra investigação, que se refere a um tal poder metafísico do número 3... Seguindo esse raciocínio, podemos chegar, inclusive, à lei judaica, segundo a qual algo que tenha ocorrido três vezes é considerado como permanente. Até aqui já vimos que, pelo menos, dois povos acreditam na máxima das 3 ocorrências: o árabe e o judeu. Vejamos, então, a aplicação disso na nossa prática de vida: imagine que você opta por tomar uma revolucionária decisão. Caso o faça uma vez, estará investindo na sua performance de estreante; duas vezes, corroborando essa sorte... Três vezes, porém, se consumado o feito, a sua decisão/ação poderá ser considerada boa e sólida. Poder-se-á, então, acreditar em você e no seu ato! Portanto, o número 3 simboliza, mesmo, permanência, continuidade. Da mesma forma, uma boa ação, se três vezes praticada, será uma constante, e, por outro lado, o delito três vezes cometido incorrerá na adoção do crime como conduta. Por isso, é preciso haver cuidado com a abordagem do número 3 na sua vida, pois ele parece acrescentar força às suas decisões e atitudes. 
Talvez seja mesmo por causa da tríplice teoria que muitas orações sejam repetidas por três vezes... Já pensou nisso? Aqui também se lembrem outras reportações ao número: na Igreja Católica, a Santíssima Trindade, os três reis Magos, Três Pastorinhos e os três segredos de Fátima; para o judaísmo, a homologação da Torá se deu no terceiro mês do ano judaico; para a mitologia grega, o 3 também possui acepção significativa (vide as Três Graças, representando luz, fertilidade e alegria); para a cabala, o 3 tem uma conotação de integração e harmonia. E mais: em astronomia, as Três Marias; em Medicina / Ciência da Evolução, o tríplice cérebro; na geografia mítica, o Triângulo das Bermudas; na comédia, os Three Stooges; na literatura histórica, Os Três Mosqueteiros; na oralidade, os três conselhos... E as três peneiras de Sócrates, que, na minha opinião, representam alegorias das mais significativas: a peneira da verdade (uma coisa só tem valor se for baseada em princípios verdadeiros, sem ardis ou fraudes), a da bondade (as intenções de qualquer ato precisam ser altruístas, sem prejudicarem o próximo) e a da utilidade (se um ato ou evento não envolve coisas ou pessoas inegavelmente úteis, então, não tem real valor e perde a sua função)... três sábias ponderações de ninguém menos que o Pai da Filosofia! 
Prosseguindo em nossa marcha especulativa sobre a teoria das três vezes, ao adentrarmos esse terreno numerológico, nos reportamos ao sábio Pitágoras e temos aí, novamente, o povo grego a confirmar a nossa tese, essa tal teoria do 3... Todos sabem da genialidade do matemático que, entre outras coisas, criou o chamado sistema pitagórico, segundo o qual se atribuem valores aos números em correspondência às letras do alfabeto. De acordo com Pitágoras, “tudo são números”, e isso pressuporia a aplicação de nosso dilema metafísico...  
O sábio grego foi, na verdade, um filósofo iluminado que – por meio da observação analítica da influência dos números sobre a vida humana – codificou os princípios básicos da numerologia, ciência largamente utilizada desde aqueles tempos até os dias atuais. Para Pitágoras, pois, o equilíbrio harmônico do universo estaria nos números e na geometria. A respeito, ele dizia: “Deus geometriza”. Será que é algo determinante assim que acontece em nossa vida, por vezes, e vemos retratado na sabedoria implícita da ação dos números?... Ora, isso é terreno bastante amplo para a divagação inicialmente proposta neste post... Na verdade – independentemente de códigos de numerologia ou apreciações metafísicas – eu só intencionava registrar na lauda eletrônica o meu atestado de concordância com a lei do 3... assim como tenho cá meus pitacos sobre o 7 e o 8 também. Contudo, isso é matéria para outro e outro post!...

16 comentários:

Cláudia F. disse...

Demais, Sayonara!!! Fiz uma retrospectiva mental de coisas que aconteceram na minha vida e percebi que a tríplice teoria funciona mesmo!!!!
Você, suas teorias... e aquelas que você adapta para a nossa realidade... acerto no alvo!!! rs

Leila disse...

Sayonara:
É verdade! Principalmente com o detalhe que vc acrescentou: duas vezes + a ocorrência de uma terceira vão trazer a continuação daquele episódio na nossa vida! Tudo q acontece 3 vezes tem a lógica de acontecer sempre mesmo! Isso é perfeito!!!! Aprendo muito com o seu blog! rsrsrsrs
Beijosss

beto disse...

vou usar essa teoria como vacina, afinal é td tríplice mesmo!!!!!!!!! hauauauauauaua
brincadeira! a teoria é show de bola!!!!!!!!

Mariana disse...

Vc tem razão!! O 3 tá em tudo!!! desde a infância da gente, nas cantigas de roda: "o primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão, o terceiro foi aquele que a Teresa deu a mão"... Não deve ser a toa que a humanidade usa essa simbologia, né?

Sandra disse...

Realmente! Tambem foi por três vezes que Pedro negou Cristo!!! Isso quer dizer que foram necessárias 3 indagações para que ele confirmasse sua posição, permanecendo no erro!

Lea Dantas disse...

Adorei o texto! Vc aproveitou todo o mote do número 3 e suas possibilidades!!!!

Alda Neves disse...

Eu me separei três vezes do mesmo
marido. Isso deve significar que vamos continuar separados, né? RS

Isadora disse...

Texto 3 vezes bom!!! Blog 3 vezes visitado!!! Então...

Lane Rosenthal disse...

Teoria muito bem fundamentada com exemplos! E ilustrada divinamente com o painel belíssimo do Sandro Botticelli!!!!

Luciana C. disse...

Que bacana, autora! Desde as imagens que vc escolhe para o seu blog até o seu estilo clássico de ser, a Itália está impregnada em você!!!
Para quem tem o privilégio de ser sua amiga, como eu - e, por isso, de conhecê-la de outros carnavais -é fácil observar a sua tendência para a elegância: nas palavras,
no visual (até do blog) e nas
atitudes! E o melhor: sem fazer força, com a naturalidade do valor autêntico! Parabéns! Por tudo isso, te adoro e te admiro!!!
Seu blog é um espaço maravilhoso, e, sempre que passo por aqui, saio renovada, com novas reflexões a ponderar!
Abraços da amiga de sempre.

Gaby disse...

Li, refleti e concordo: parece que o 3 está em tudo!!!!!!!!!!

Marisa Fernandes disse...

Interessante essa coisa da trilogia... Depois de ler o seu post, lembrei dos três sobrinhos do Donald (Huguinho, Zezinho e Luizinho), dos Três Porquinhos, dos 3 filhos que existem em todas as histórias da tradição oral antiga etc. Muito boa sua observação!

Márcia disse...

Excelente abordagem da magia do 3!!
Maravilha, Sayonara!

Tenho, desde o século passado, essa gravura do Botticelli na parede sobre a cama. Sonhos e símbolos...A linguagem divina. A grande comunicação, as revelações...
Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant e Meditações sobre os 22 arcanos maiores do tarot (autor que quis manter-se no anonimato). Caso ainda não os tenha (o que duvido!)...
Tem jeito não, Sayonara, como naquele poema que vc gosta ' o único permanente em mim - em nós - é o místico'...rs...Que assim seja, não é??
bjs

Joanete disse...

Que fascinate esse texto da triologia .quantos tres em tudo.contamos até tres para coordenarmos algo ,diga trinta e tres. um,dois tres, se precisar conte outra vez.Vou contar até tres para clasificar o seu texto...É BÁRBARO
uma historinha particular:quando meu filho era pequeno e não queria tomar banho eu sempre dizia que ele estava tres dias sem banho.

tânia lúcia barros disse...

Cara Sayonara, estive aqui e ainda estou aproveitando os temas interessantes e tudo mais. Em primeiro lugar me agradou o blog: simples, elegante, direto. Continuo agora a ler não somente este texto acima. Depois terei prazer em comentá-lo. Beijos
Tânia Barros - Escritora e poeta e docente literatura e língua.

Ana Olivia disse...

Sayonara, fico impressionada com sua capacidade de trazer para algumas linhas o "muito"...nossa! Uma infinidade de informações variadas em uma linguagem leve e elegante. Amei! E concordo com a sábia investigadora...obrigada por lembrar da sua amiga aqui. Bjo com carinho!