sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Poderosa intuição


Imagem: Col. LS
Minha intuição é algo com que realmente posso contar. Pelo menos, na maior parte das vezes. Mais que isso, normalmente, ela é uma espécie de bússola, ou mesmo, uma poderosa arma no trato com o cotidiano.
Memoráveis são os casos de acerto preciso da minha antevisão intuitiva. Quero mostrar, com isso, as inúmeras vezes que previ algum fato com razoável antecedência. Normalmente, tal se dá por meio de sonhos. Costumo sonhar – na véspera ou com um intervalo de cinco a dez dias – com algo que está para acontecer. A revelação onírica pode ter conotações simbólicas ou, em casos especiais, mostrar cenas claras ou um fato evocativo sobre determinada pessoa ou situação.
Sendo mais clara, vou relatar aqui alguns desses casos intuitivos que posso classificar como especiais. Um deles aconteceu há cerca de quatro anos... Comecei a sentir, certo dia, algo estranho, uma sensação de perigo que rondava, com acurada precisão (não me deixava nenhuma dúvida) a figura de meu pai. Tremendo pânico tomou conta de mim, especialmente pelas fragilíssimas condições de saúde dele – agravadas, com o passar dos anos por uma lesão medular que lhe impedira a mobilidade natural. Diante disso, dificilmente uma ameaça, para mim, pairando sobre a cabeça de alguém seria mais grave do que aquela, terror premonitório, que apontava na direção inconteste de meu paizinho!... Coloquei uma foto dele na área de trabalho de meu computador e, na constância dos dias – ao longo de minhas atividades de escrita – fazia orações e procurava emanar eflúvios positivos na direção de seu olhar doce, estampado na minha tela. Além dos cuidados espirituais, também procurei tomar medidas práticas de prevenção: liguei para a minha mãe (eles moram a 300 Km de distância) e avisei sobre o perigo que pressentia. Alertei: Tome cuidado para que meu pai não se acidente, pois sinto que ele corre perigo por esses dias. Paralelamente a isso, pedia à minha filha, quando em vez, que também fizesse suas orações, já que infelizmente, sinto que algo irá acontecer a seu avô, sem demora.
Palavras de sibila! Cerca de dez dias depois, o telefone toca; era minha mãe... Antes mesmo que ela começasse a dizer qualquer coisa, in continenti, perguntei: O que aconteceu com meu pai? Atente-se para o detalhe de que ela me liga várias vezes durante o dia (sou filha única), mas naquele telefonema – precisamente naquele momento – minha intuição certeira me avisou do fato recentemente acontecido. Estava consumado: meu pai sofrera uma queda brutal e quebrara o fêmur; urgia ser feita uma cirurgia. Antes de tomar qualquer providência e viajar para lá, agradeci a Deus que a notícia não tivesse o atroz apelo de um ultimato. E rezei novamente para que ele se saísse bem de tudo aquilo, embora eu tivesse absoluta certeza de que – mesmo com o sucesso da operação, após a realização desta – ele não mais voltaria a andar. E assim foi.
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Outro episódio da série Intuição teve lugar numa manhã aparentemente comum, quando – depois de uma noite de sonhos truculentos – acordei com aquela estranha sensação de revelação. Da cama, com voz notadamente alterada, chamei minha filha, que tomava café da manhã. Ela veio até mim, já um pouco aflita e sem nada entender, quando lhe perguntei se ela pretendia ir ao cinema com as amigas naquele dia. Após sua negativa, eu lhe disse que então estava tudo tranqüilo, pois meu sonho premonitório de perigo só fazia sentido se ela fosse passar – com as colegas Fulana, Beltrana e Sicrana – pelo Cine Rockfield, reunindo-se com elas em frente a este. Relatei-lhe que sonhara com ela sendo assaltada, junto às colegas, na porta do cinema, num assalto em que lhes levavam os celulares.
Minha filha foi para o colégio, e eu voltei a dormir. O horário das aulas transcorreu normalmente e ela retornou a casa. Mais tarde, despertei efetivamente para o dia e fui trabalhar. No fim da tarde, o telefone tocou e Raquel o atendeu. Após ouvir uma pergunta e titubear por uns segundos, decidiu não aceitar o convite e, de modo sutil, prevenir as amigas quanto a qualquer resquício de perigo advindo dos sonhos da mãe. Isso de modo bem disfarçado, pois, como uma boa e usual adolescente, teria “brios” em falar dos poderes maternos manifestamente telepáticos (risos)... E suas amigas se dirigiram ao cinema. Horas mais tarde, minha filha fora surpreendida por novo telefonema das colegas, que, aflitas, lhe relatavam que haviam sido assaltadas em frente ao cinema e que os assaltantes levaram os seus celulares. Como o leitor pode constatar, mais precisa não poderia ter sido a minha intuição onírica.
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Outro fato, bem mais recente, aconteceu quando, após um desses painéis noturnos reveladores, acordei e disse para a minha filha: Vai acontecer alguma coisa hoje. Meu leitor, você bem pode imaginar o que não significam palavras assim emanadas de minha intuição, já célebre entre familiares e amigos. Minha filha, então (coitada!), a certo momento desenvolveu considerável pânico ante minhas bruscas e solenes declarações. E não foi diferente naquele dia, com certo agravante por parte de minha autoconsciência de preservação: constava da minha agenda um ida a determinada editora, localizada em subúrbio muito visado, ou seja, em zona de perigo. O problema, então, me parecia maior, mais forte e efetivo, de antemão. Provavelmente, algo diferente estava fadado mesmo a acontecer. Assim, contrariando Monteiro Lobato – que recomendava que as pessoas “não atentassem muito no perigo” –, acreditei na possível predestinação e comecei a tomar as prováveis providências. Primeiro, rezei. Depois, separei documentos e vi se a minha filha estava com cópias de chaves e cartões de banco. Por um ligeiríssimo átimo, até pensei em não ir à editora, mas desisti da desistência, alegando para mim mesma que eu não poderia suspender o ritmo da vida. Assim, por ser a um só tempo responsável e arrojada, impetuosa, peguei pela mão a minha coragem de sempre e tomei um táxi para a Zona Norte.
Incrivelmente, nas primeiras horas do dia, tudo parecia transcorrer com a calma sem graça das situações rotineiras. Felizmente, diga-se de passagem. E assim, no ritmo cordato das horas que se sucediam sem maiores alardes, passou toda a manhã. Bem mais atenta do que de costume (apesar da forte intuição, sou curiosa e ridiculamente distraída), durante o percurso até a editora, procurei observar, através da janela do táxi, todo o movimento do trânsito e das coisas à minha volta. Porém, nada de significativo parecia saltar às minhas vistas. Em paz também cheguei à editora. Lá chegando, tomei todas as providências de trabalho necessárias e, cerca de uma hora e meia depois, partia do local no trajeto de volta à Zona Sul.
Próximo à referida editora, existe um viaduto considerado de alta periculosidade. E profundo foi o meu suspiro de alívio ao cruzá-lo já na volta de minha missão àquele lugar. Quase não acreditei quando, após atravessá-lo – pela segunda vez, naquele dia de intenções escabrosas preconizadas –, pareci vencer o anunciado perigo. E talvez tenha sido exatamente nesse momento de relaxamento que ouvi um som truncado na traseira do automóvel. Meu coração quase saltou pela boca quando – acordada pela realidade exterior aos meus pensamentos –, pude perceber que um ônibus batera no táxi que me conduzia! Talvez vendo a minha expressão momentânea de leve pânico (risos nervosos), o taxista tentava acalmar-me: “Não foi nada, senhora. O ônibus raspou a traseira do meu táxi. Mas a senhora está bem, não está?” Ao que lhe afirmei estar bem e contei a minha história. O pobre homem ficou estupefato. Menos estarrecida só ficou a minha filha já treinada em grandes emoções... Após me conscientizar do ocorrido, peguei o celular e lhe disse: Fique calma: o perigo já passou. Imagine o que essa menina não passa, na constância dos dias!...
Após tais relatos, no entanto, eu gostaria de dizer ao leitor que também não tenho bola de cristal... Apenas sou avisada em certos momentos de perigo. E desejo, sinceramente, que em tais instantes graves, meus anjos nunca falhem. É bem verdade que – dadas as minhas vulnerabilidades humanas – há momentos em que eles podem estar dormindo... Aí a boa e velha intuição pode não me atingir a consciência a tempo, em vista, principalmente, de outras conjunções cósmicas que, porventura, possam atingir o céu da minha rotina. Ainda assim, prometo ao leitor que – na maior parte dos casos – procurarei desenvolver uma força telepática tal a ponto de livrar – com inspiração e iluminação divinas –, a mim e aos meus, dos perigos que rondam as vivências humanas. E, quem sabe, paralelamente a esse dom que tenho desenvolvido nos últimos anos, eu não possa chegar, por exemplo, a uma superclarividência lógica e desvendar os números premiados da Mega-Sena?... Aí, caro leitor, você pode apostar: não me esquecerei de sua prévia companhia aqui neste âmbito e o convidarei para integrar o bolão onírico da sorte!!!
Por Sayonara Salvioli

P.S.: Falei hoje da minha intuição com revelados “poderes delatores do perigo”. Outro dia, no entanto, escreverei sobre outro tipo de poder intuitivo, o qual trata da sensação leve e de regozijo que é capaz de antever momentos meio mágicos, aqueles que não se atrelam, necessariamente, a circunstâncias cabais de riscos, doenças ou acidentes. Em 1988 e em 1999, passei por coisas assim. Mas isso é matéria – e profícua! – para outro post!

15 comentários:

Cintia disse...

Nossa! De poetisa a profetisa... ha ha ha ha Por favor, quando sonhar comigo, não deixe de me contar, viu? bjs

beto disse...

Eu tenho uma tia que é assim.. se ela fala alguma coisa contrariando os meus planos, eu nem saio de casa!!!!!! hauhauhauhauhaua

Cláudia disse...

Sayonara,
Mais um dom seu que eu não sabia! Você entrou na fila dos dons quantas vezes? he he
bjsss

Gaby disse...

Sayonara,
lá em casa já aconteceu coisa parecida, quando minha avó falou sobre um sonho que teve e ninguém acreditou. Ela sonhou que meu irmão se acidentava com o skate e ele ainda riu dela...no dia seguinte, ele tomou um tombo feio na rampa de skate e teve que ficar de molho por quase um mês!!!!!

Mariana disse...

Eu não tenho premonições, mas respeito muito quem tem. Acho que mãe tem muito dessas coisas, uma intuição aflorada mesmo. Mas igual a vc que pressente coisas até pra si mesma eu ainda não tinha visto não!!!! Que karma!

bruno disse...

sinistro!!!!!! loucura, Say!

Entre letras disse...

Bom dia!!!Sempre estou sonhando. No dia 14 de nov, sonhei que eu tinha perdido minha mãe, no dia 25 de novembro virou realidade (também sou filho único).Sendo que de um bom tempo pra cá eu estava com um vazio por dentro mas naõ sabia o porquê.Teve um dia no serviço(ano passado)eu estava quieto demais.Estava cismado na hora de vir embora preocupado com algumas carroças que ficam na estrada(BR 356) sem sinalização nenhuma, a gente só vai ver quando o carro está em cima.Sempre alguém vem comigo e desta vez ninguém veio.Eu estava me comportando como se tivesse certeza de que algo iria acontecer.Vim pela estrada na maior atenção e dei graças a Deus quando cheguei em casa.Daí tomei banho e fui para o curso, no meio do caminho(num cruzamento)veio um carro e bateu(meu lado), amassando a lateral do meu todinha.Enfim: a minha preocupação era pra tomar cuidado de forma geral e não no trajeto do serviço pra casa.Feliz ano novo pra vc e tudo de bom na sua vida.Abraços!!!

Maria Angélica Soares disse...

Sayonara:
Acho que o bom disso tudo que falou é que vc pode se prevenir em alguns casos e, principalmente, rezar para que o pior não aconteça. Vi que vc mencionou mais de uma vez que rezou nessas ocasiões. Também prestei atenção quando vc disse: "agradeci a Deus que a notícia não tivesse o atroz apelo de um ultimato", no caso do ocorrido com o seu pai.
É isso aí! A intuição, muitas vezes, pode se tratar de inspiração divina para nossa precaução (como no caso do amigo-leitor acima que comenta sobre seu cuidado a mais na estrada, também no caso do assalto no cinema etc.) ou para outra espécie de preparação que não podemos julgar o porquê...
No final das contas, por tudo o que vc narrou, acho mesmo é que está protegida! hehehe

Alexandre disse...

Acho que a síntese de tudo é basicamente a seguinte:
"Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que julga a nossa vã filosofia"...

Cecília disse...

Se conseguir antecipar os números da mega sena, não vai se esquecer de mim, hein? hahahahahahaha

victor disse...

...nem de mim!! um dom assim a gente tem que dividir!!!!!hauauauauaua

Luciana C. disse...

Suas intuições a Parapsicologia explica. Aliás aposto que você se interessa pelo tema!!

Thais Gomes disse...

Minha amiga,
Isso é proteção que você tem!!!!!!
Aproveite que é dom divino!!!
Abraços

Verinha disse...

Não sou intuitiva assim, mas gostaria de ser!!!

Marijane Lopes disse...

MINHA AMIGA...ENTENDO E SEI O QUE SENTE...JÁ PASSEI E PASSO POR ISSO...NA VERDADE ISSO ME INCOMODA MUITO!!! TAMBÉM PERCEBI QUE COM A INSTENSIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES DE TRABALHO, ESSA CLARIVIDÊNCIA PARECE SER MENOS PRESENTE...HOUVE UM PERÍODO DE MINHA VIDA EM QUE ERAM MAIS GRITANTES!!! SEMPRE ME INCOMODOU ISSO!!!
MASSSSSSSSSSSSSSSSSS...QUANDO COMECEI A LEITURA, (MUITOS RISOS), JURO QUE PENSEI NAS 6 DEZENAS DA MEGA SENA!!!!! NÃO ME CONTIVE QUANDO VOCÊ MENCIONOU...RI MUITO!!!!
ADOREI!!!! BEIJÃO!!!